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sábado, 17 de junho de 2017

José, o pai terreno de Jesus

E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher” Mt 1.24

Imagine após uma jovem judia ser prometida em casamento a um jovem judeu, surgisse a informação de que ela estava grávida. Ainda não ocorrera o casamento entre o jovem e a noiva, muito menos havia ocorrido a noite de núpcias entre o casal, mas a jovem se encontrava grávida. Qual seria a reação de qualquer jovem judeu? Nesse contexto é que aparece o pai de Jesus, José. Um homem de caráter ilibado, conciliador, amoroso e preocupado com o bem-estar da outra pessoa. Podemos resumir a sua vida em humildade, submissão e amor.

Sabemos pouco sobre a vida de José, o pai de nosso Senhor. As Escrituras não se referem muito a pessoa do marido de Maria, por isso, muitos estudiosos especulam sobre ele ter morrido precocemente. Talvez a informação histórica mais relevante sobre José é a respeito de sua profissão: carpinteiro. Profissão que o nosso Senhor aprenderia e exerceria mais tarde. Embora as Escrituras Sagradas tenham poucos dados mencionados a respeito de José, o seu caráter é demonstrado de maneira muito clara logo nos primeiros episódios que narram a infância do Senhor Jesus.

Ao saber da gravidez de Maria, conhecendo que entre eles não havia relação sexual, e por isso biologicamente o filho de Maria não poderia ser de José, o que lhe dava a ideia de que Maria havia sido infiel, as Escrituras Sagradas narram que “José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19). O pai do Salvador não tinha a intenção de expor Maria publicamente, pois ele bem sabia a consequência que toda mulher sofreria quando flagrada em infidelidade conjugal.

Entretanto, o texto bíblico narra que imediatamente após José planejar a abandonar secretamente a Maria, o anjo do Senhor lhe apareceu em sonho dizendo: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21). Além de acreditar na inocência de Maria por intermédio de um sonho, José obedeceu humildemente a voz do Senhor por meio do anjo e assumiu a paternidade de Jesus e o casamento com Maria.

A obediência talvez seja a maior lição que podemos depreender da vida de José, o pai do nosso Salvador: anular por completo a própria dúvida, amar incondicionalmente e dizer sim para Deus. José escolheu a crer por intermédio de um sonho.  Revista Ensinador Cristão nº70

José, pai de Jesus, nos deixou um exemplo marcante de um caráter humilde, submisso e amoroso.

Leitura Bíblica: Mateus 1.18-25

Neste capítulo, estudaremos um pouco do que a Bíblia revela sobre a vida de José de Nazaré, esposo de Maria, mãe de Jesus. Seu lado humano mostra-nos um homem humilde, trabalhador, que exercia o ofício de carpinteiro. José era homem dotado de caráter justo, temperante e amoroso. No lado espiritual, ele tinha experiências com Deus. Ao saber que a noiva ficara grávida, mesmo sabendo dela que era algo sobrenatural, José não a quis infamar e resolveu deixá-la secretamente. Ele correu grande risco. Se a sociedade soubesse que ele era noivo de Maria e a tinha abandonado, provavelmente tal fato seria motivo para suporem que ele teria cometido adultério ou fornicação e fugira para não ser apanhado em flagrante e ser apedrejado com a noiva.

Deus, porém, ao escolher a mulher em cujo ventre Jesus iria nascer, também escolheu aquele que haveria de dar apoio e proteção a ela e a seu filho primogênito. Dessa forma, Jesus passou a ser partícipe do plano salvífico de Deus: “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (G1 4.4,5). A encarnação de Jesus é prova de que Deus valoriza a família. Para Ele, uma família tem que ser formada a partir de um homem, que se une pelo matrimônio a uma mulher, que tenham filho ou filhos, para juntos servirem a Deus. Jesus nasceu no seio de uma família, que, além dEle, viu nascer mais quatro filhos e, pelo menos, duas filhas (Mt 13.55).

Deus concedeu a José uma missão por demais elevada. Ele tornou-se o pai adotivo de Jesus, para cuidar de sua vida espiritual, moral e física ao lado de Maria. Pouco se tem na Bíblia sobre a infância de Jesus, mas os rápidos registros indicam que sua formação e educação foram bastante sólidas e com base na Palavra de Deus: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Maria e José eram muito zelosos quanto à educação de Jesus. O texto mostra que seu crescimento era equilibrado e integral. Ele crescia espiritualmente, intelectualmente e cheio da graça de Deus.

Desde o nascimento de Jesus, José foi um pai presente em todas as etapas de sua vida, especialmente na infância e na adolescência. Não se sabe se José morreu antes ou depois de Jesus iniciar o seu ministério público, mas o pouco que se sabe sobre seu papel de pai terreno faz-nos crer que ele dedicou-se com muito amor à criação do menino, com base nos princípios da Lei de Deus. José é um exemplo para os dias presentes, em que muitos pais cristãos estão completamente descuidados da educação cristã de seus filhos. Muitas crianças e adolescentes estão sendo educadas pela “babá eletrônica”, a televisão secular e pela “mestra virtual”, que é a Internet. Muitos pais já não seguem mais o conselho de Deus: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

Ao lado de Maria, a mãe de Jesus, José cumpriu a sua missão, pois participou da educação do menino-Deus até Ele ter consciência de que era o Filho de Deus, enviado ao mundo para salvar o homem perdido. Quando Jesus teve consciência de sua natureza divina e que Ele era a “semente da mulher” prevista por Deus depois da Queda, tornou-se independente para iniciar, desenvolver e cumprir seu ministério terreno até à consumação do plano salvífico de Deus na cruz do calvário. José não estava junto à cruz, mas Maria testemunhou o supremo sacrifício do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

I - JOSÉ, O PAI DE JESUS

1. Quem Era ele?
José, marido de Maria, era um homem de caráter exemplar. Pouco se sabe sobre sua vida, e mesmo assim, o que se sabe é aquilo que está relacionado aos fatos acerca do nascimento de Jesus, como um personagem coadjuvante, porém de grande valor, na bela história de encarnação do Verbo (Jo 1.1). Era um nome também muito comum em seu tempo. Ele também é chamado de José de Nazaré, na Galiléia, pois a Bíblia registra os nomes de outros “Josés”.1 Assim como a esposa, José era uma pessoa simples, humilde, talvez mais conhecido que ela por causa de sua profissão. Ele exercia o ofício de carpinteiro. Há quem creia que ele era o único carpinteiro do lugar. Não era um homem rico, mas tinha sua profissão que, depois, haveria de ensinar a Jesus (Mc 6.3).

Ele entrou na genealogia de Jesus contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam que o Messias faria parte da descendência de Davi (2 Sm 7.12,16). Quanto à sua idade, a Bíblia não faz menção. Tradições cristãs dizem que José era bem mais velho que Maria. Gardner diz que “Não há como saber a idade de José, comparando-se com a de Maria, ou as circunstâncias específicas em que se conheceram e ficaram noivos. A ausência de seu nome em Mt 13.35 e Jo 2.1, passagens onde se esperaria que estivesse presente se estivesse vivo, implica que ele era bem mais velho do que ela e já havia falecido quando Jesus iniciou o seu ministério público (ou, logo depois, em Lc 3.23)”.2

2. Pai Terreno de Jesus
José não era o pai biológico de Jesus, mas o seu pai adotivo, visto que Jesus foi gerado pela ação sobrenatural do Espírito Santo, no ventre de Maria (Lc 1.35). É também chamado de “pai-guardião” de Jesus. Esse fato é de grande importância, pois ele era “da casa e família de Davi” (Lc 2.4). Perante a lei, José era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (3.23-38). Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi e da tribo de Judá. Mateus registra a árvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu filho (Lc 3.31), visto que o último rei da casa de Davi, em Judá, Jeoiaquim, sofreu terrível maldição de que nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi (ver Jr 22.28-30).

3. José, um Sonhador Obediente
José de Nazaré era homem de profunda comunhão com Deus e teve experiências notáveis na área espiritual que marcaram toda a sua vida de um piedoso servo de Deus. Como noivo de Maria, ao saber da gravidez dela, pensou em deixá-la secretamente para não infamá-la. Mas Deus, que tem o controle dos fatos e das pessoas envolvidas em seus divinos propósitos, entrou em ação e deu a José um sonho tranquilizador para que não saísse do seu lugar: “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.20,21). Deus não deixou que ele concretizasse seu desejo de fugir às escondidas para não sofrer as consequências da gravidez inesperada de sua noiva.
Deus tem muitas maneiras de revelar-se aos que o temem e andam conforme a sua direção: “E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer ou em sonhos falarei com ele” (Nm 12.6).

José do Egito, filho de Jacó, era um jovem sonhador que recebia sonhos da parte de Deus (Gn 37.7-10). Ele tornou-se famoso após interpretar sonhos de dois colegas de prisão (Gn 40.1-23) e, depois, os sonhos preocupantes do rei do Egito (Gn 41.1-37). Daniel era entendido em sonhos (Dn 1.17); os magos foram avisados por sonho para não retornar a Herodes, que desejava matar Jesus (Mt 2.12). Dentre as maneiras de revelar sua vontade, Deus usa “visão” e “sonhos”. A José, noivo de Maria, ele revelou que sua noiva não havia fornicado, mas que iria ser mãe pela intervenção sobrenatural do Espírito Santo (Mt 1.20,21). Tempos depois, após a visita dos magos do Oriente a Jesus, Deus falou com José em sonhos, orientando que ele se levantasse e fugisse com Maria e o bebê para o Egito, pois Herodes queria matá-lo (Mt 2.13,14).

II - O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ

1. Era um Homem Justo
O caráter de um homem torna-se mais visível nos momentos difíceis, em meio às adversidades. Mateus diz que, ao saber que Maria estava grávida, mesmo tendo sido informado de que se tratava de uma operação realizada pelo Espírito Santo, José preferiu fugir para não causar embaraço e constrangimento à sua jovem noiva. O texto diz: “Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mt 1.19). Sem dúvida, José viveu o momento mais perturbador de sua vida. Ele ainda não estava casado com Maria. A gravidez dela transtornou seus pensamentos. O casamento em Israel tinha três etapas: primeiro, os jovens assumiam o compromisso de amarem um ao outro visando o matrimônio; a segunda fase era a do noivado, quando já eram considerados casados de direito, mas não de fato. Essa fase era tão séria que, se houvesse o rompimento do noivado, tinha que haver o processo de divórcio. O terceiro passo era o do casamento propriamente dito.3 Foi na fase de noivado que José, por meio de Maria, tomou conhecimento de sua experiência com o mensageiro celestial.

Nessas circunstâncias dramáticas, José mostrou a grandeza de seu caráter justo. Fugindo da constrangedora situação e desaparecendo para bem longe, José poderia recomeçar a vida anonimamente. Em termos humanos, ele tinha razão. Não era fácil para um homem do seu tempo ser acusado de adultério. Ele poderia provar que não fora o causador da gravidez, e Maria seria apedrejada sem misericórdia. Mas seu caráter impediu-o de agir de forma precipitada. Ele preferia sair de cena a prejudicar a reputação da noiva. Como Deus tinha incluído José em seus planos, entrou em ação e tranquilizou seu coração de forma especial, falando-lhe através de um sonho que mudou todo o pensamento e decisão de José.

2. Um Homem Obediente
A obediência era um dos traços mais marcantes do caráter de José. Ao ter a revelação acerca da natureza da gravidez santa de Maria e receber a ordem de Deus para desistir de sua fuga para não fazer Maria sofrer, José submeteu-se à vontade divina: “E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher” (Mt 1.24). Notemos que José não viu o anjo. Tão somente recebeu a revelação por meio de um sonho. Ele poderia ter despertado e dado tempo para verificar se não teria tido apenas um sonho resultante de muitas ocupações (Ec 5.3), mas ele teve o discernimento espiritual de que se tratava de um sonho de origem divina. E obedeceu prontamente e tão logo despertou de seu merecido sono. Com amor e compreensão, abraçou Maria e contou a ela acerca da experiência que Deus lhe proporcionara sobre a gravidez da noiva.

Certamente, podemos conjecturar: Maria segurou sua mão, deu-lhe um abraço afetuoso e disse-lhe que era isso o que ela esperara dele e ficou muito grata por seu gesto de amor e obediência a Deus. Ao receber Maria como sua esposa, José contribuiu para que Jesus nascesse no seio de uma família, a sagrada família. Ele cumpriu o papel de pai de forma bastante zelosa. Maria cumpriu o papel da mãe extremada, amorosa e santa, ainda que fosse, como se entende, uma adolescente.

Depois da manjedoura, Jesus foi levado para a casa de seus pais em Belém. Ali, receberam a visita dos magos do Oriente. “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).

Depois da visita dos magos — que irritaram Herodes por não terem retornado para dizer onde se encontrava o menino jesus — o monarca romano decidiu matar todas as crianças de Belém de dois anos para baixo, visando pôr a mão em Jesus para matá-lo. E mais uma vez, Deus revelou-se a José através de um sonho, ordenando que o mesmo fugisse para o Egito com a família sagrada: “E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito” (w. 13,14). José permaneceu no Egito com Maria e o menino Jesus até que Deus determinasse seu retorno a Israel em segurança — o que, de fato, aconteceu depois da morte de Herodes (w. 15,21). Ele não ficou em Belém ou Jerusalém; antes, sabendo que Arquelau, o filho de Herodes, assumira o poder em Jerusalém, foi para a Galileia, “por divina revelação”, passando a residir em Nazaré (w. 21-23).

3. Um Homem Temperante
Mesmo tendo mais idade que Maria, José não era um ancião abatido pelos anos de vida. Nem mesmo era um homem de meia-idade, pelo que se depreende do que a Bíblia revela sobre ele. Ele deveria ser um homem dotado de energia física suficiente para, depois do nascimento virginal de Jesus, ter coabitado com Maria e tido seis filhos biológicos, sendo quatro filhos e, pelo menos, duas filhas com ela (cf. Mc 6.3). No período em que era noivo (desposado) com Maria, ele não teve relações sexuais com ela. Primeiro, porque era um grave pecado, em que os envolvidos, quando apanhados na prática ilícita, eram apedrejados (Dt 22.24). Em segundo lugar, porque era homem de bem e obediente a Deus, homem “justo” (Mt 1.19). “ e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS” (v. 25).

Na Bíblia, há vários casos de homens de Deus que não resistiram à tentação do sexo e caíram de modo escandaloso, seja no pecado de adultério ou de fornicação, como Davi, que acabou manchando o bom nome do povo de Deus. Se há um ponto em comum entre José do Egito e José de Nazaré, esse ponto é o fato de ambos serem sonhadores; outro ponto em que eles fizeram diferença foi na pureza moral. Ambos foram fortes o suficiente para serem fiéis a Deus nessa área em que muitos não resistem nem à primeira investida do maligno.

III - A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ

1. Assegurar a Ascendência Real de Jesus
Como visto no item 1.2, José, perante a lei, era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (3.23-38). Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi, pela tribo de Judá: “E Davi era filho de um homem, efrateu, de Belém de Judá, cujo nome era Jessé [...]” (1 Sm 17.12). Jesus é descrito no livro de Apocalipse como “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi”, o único capaz de abrir o livro selado com sete selos (Ap 5.5). Mateus registra a árvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu terceiro filho (Lc 3.31; 2 Sm 5.14), visto que o penúltimo rei da casa de Davi, em Judá, Joaquim (ou Jeconias), sofreu terrível maldição: nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi por causa da pecaminosidade em seu reinado (ver Jr 22.28-30)”. Esses fatos negativos provocaram um rompimento da linhagem davídica, mas Jesus foi adotado por José, que era da tribo de Judá. Quando uma criança era adotada como primogênito passava a pertencer à tribo do pai adotivo.

2. Proteger Jesus em seus primeiros Anos
A sociedade judaica era eminentemente patriarcal. Ela requeria que uma família tivesse o pai como líder espiritual e humano da família, ao lado de sua esposa. Jamais se imaginaria uma mulher dizer que tivera um filho, sem que a presença do pai fosse notória. Mesmo em se tratando da concepção virginal de Jesus, pelo Espírito Santo, Maria não teria condições de criá-lo humanamente sem o apoio da figura paterna. A contribuição de José à formação espiritual, moral e social de Jesus ao lado de Maria foi inestimável. Ele prestou um serviço de alta relevância perante Deus, como pai adotivo e guardião de Jesus em sua infância e adolescência. Alguns fatos sobre a vida de Jesus comprovam o amor e o zelo de José pelo menino que não era seu filho, e sim filho de Maria pela intervenção divina.

1) No nascimento de Jesus. Ao chegar a Belém para o alistamento determinado pelo governo, José e Maria, com o menino em seu ventre, não tiveram lugar para se hospedar e tiveram que aceitar recolher-se, no meio da noite, numa estrebaria. Ali, as dores do parto foram intensas e, em meio ao silêncio noturno, Maria deu à luz a Jesus, na companhia de José:
“E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.4-7).
Maria, na sua condição social, não tinha uma serva a seu serviço. Naquela situação, sem dúvida, José participou dos procedimentos no parto de Jesus, ajudando Maria em todos os detalhes, amparando o bebê na saída do útero materno, no corte do cordão umbilical, em sua limpeza pós-parto, no envolvimento em panos e na colocação da criança na manjedoura.

2) Nas cerimônias exigidas pela Lei. Na circuncisão de Jesus ao oitavo dia de nascido e também na apresentação no templo, José estava ao lado de Maria: “E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lc 2.21,22).

3) Na fuga para o Egito. Diante da ameaça de Herodes de matar o menino Jesus, Deus determinou que José tomasse Maria e o menino e todos fugissem para o Egito, até que o rei homicida tivesse morrido. Quase 500 quilômetros de viagem, em meio a estradas desertas, com risco de assaltos e intempéries, José conduziu a esposa e seu filho para um lugar seguro e só voltou de lá por revelação de Deus, quando Herodes havia morrido. E os três foram morar em Nazaré (Mt 2.13-23).

3. Zelar pela Formação Espiritual de Jesus
Como criança normal, saudável, inteligente e de família judaica, Jesus foi criado conforme os ditames da Lei de Moisés. Certamente, seus pais cumpriam o que fora determinado quanto à educação dos filhos, com o ensino sistemático e diário das palavras de Deus (cf. Dt 11.18-21). Fazia parte de sua educação conhecer e participar das festas anuais de Israel, das quais a Páscoa era a mais impactante por seu significado histórico e espiritual. José e Maria levavam o menino a Jerusalém para essa festividade nacional: “Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lc 2.41,42).

Embora os relatos sobre a vida desse personagem bíblico sejam escassas, o que se conhece dele é suficiente para se demonstrar que se trata de um servo de Deus, que cumpriu uma missão importantíssima no projeto de Deus para a redenção da humanidade. Seu papel coadjuvante não deve ser menosprezado nem diminuído. Maria foi a escolhida para acolher a encarnação de Jesus, o Verbo que “se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1.14). José, porém, foi escolhido por Deus para ser parte integrante da sagrada família, cuidando de Maria, como esposo humilde e amoroso, e de Jesus, como pai terreno, zelando pela integridade física, emocional e espiritual de Jesus, notadamente nos anos da infância e da adolescência. Um exemplo eloquente de um verdadeiro pai, que se faz presente na vida do filho, e não apenas um genitor, que, gera e descuida-se da vida do filho.

A igreja católica criou uma imagem de José repleta de piedade e devoção e que ultrapassa a verdade esposada na Bíblia acerca desse servo de Deus. Durante os primeiros 500 anos do cristianismo, José nunca foi venerado ou exaltado, muito menos cultuado. “Mas, somente no século XV d.C. é que começaram a aparecer na Europa as primeiras missas e ofícios em honra a São José. Em 1479, Pio IV introduziu a festa a São José, em Roma. Pio IX, em 1870, declarou que José era o patrono da Igreja Universal”.4 Assim como foi feito com Maria, exaltada à condição de mãe de Deus, “Rainha do Céu”, mediadora entre Jesus e os homens, José também recebeu honras e veneração que ele próprio jamais aceitaria por causa de seu caráter santo e humilde. Devemos ficar com o que a Palavra de Deus diz sobre os personagens da história sagrada.

CONCLUSÃO

José, o pai terreno de Jesus, foi escolhido por Deus para uma missão muito elevada no plano da redenção. Ele foi o homem que, na presciência de Deus, amparou Maria em sua missão de conceber Jesus como Filho do Homem, como Deus encarnado. Não só a ela, mas também ao próprio Jesus, em seu nascimento biológico, em sua infância, nas ameaças que sofreu, ao cuidar de sua educação esmerada ao lado de Maria. Como profissional da carpintaria, José ensinou o ofício a Jesus, a ponto de ele ser conhecido como “o carpinteiro, filho de Maria [...]” (Mc 6.3). Ele foi um homem santo, assim como todos os que se dedicaram ao chamado de Deus em suas vidas. Mas, assim como Maria, ele nunca reivindicou para si honras e louvores, que só pertencem a Deus.

1 Além de José de Nazaré, esposo de Maria, a Bíblia registra o nome também famoso de José, o décimo primeiro filho de Jacó com sua esposa predileta, Raquel; José, pai de Jigeal, um dos espias enviados por Moisés (Nm 13.7); Um dos filhos de Asafe, levita e cantor (1 Cr 25.2); José, dentre os que se divorciaram de mulheres estranhas no tempo de Esdras (Ed 10.42), filho de Bani; José, um dos líderes da casa de Sebanias (Ne 12.14); José, filho de Joanã, da genealogia de Jesus (Lc 3.30); um irmão de Jesus, chamado José (Mc 6.3/ Mt 13.55); José de Arimateia (Mt 27.57); “José, chamado Barsabás”, candidato a substituir Judas (At 1.23); José (Barnabé - At 4.36) e José, pai de Semei e filho de Josá, na genealogia de Jesus (Lc 3.26).

2 GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada, p. 382.

3 MOUNCE, Robgert H. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo - Mateus, p.17.

4 CHAMPLIN, R. N.. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 3., p. 594.


SUBSÍDIO DIDÁTICO

“As famílias judias realizavam várias cerimônias, logo após o nascimento de um bebê:

(1) circuncisão. Todos os bebês do sexo masculino eram circuncidados e recebiam seu nome no oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Lc 1.59-60). A circuncisão simbolizava a separação entre judeus e gentios, e seu relacionamento exclusivo com Deus.

(2) Redenção do primogênito. O primogênito era apresentado a Deus, um mês após o nascimento (Êx 13.2,11-16; Nm 18.15-16). A cerimônia incluía comprar de volta, ou seja, ‘redimir’, a criança, de Deus, por meio de uma oferta. Desta maneira, os pais reconheciam que o bebê pertencia a Deus, que é o único que tem poder de dar vida.

(3) Purificação da mãe. Durante 40 dias, após o nascimento de um filho, e 80 dias após o nascimento de uma filha, a mãe permanecia cerimonialmente impura, e não podia entrar no Templo. No fim do seu período de separação, os pais deveriam trazer um cordeiro para uma oferta de holocausto, e uma rola ou um pombo para uma oferta de pecado. O sacerdote sacrificaria esses animais e declararia que a mulher estava limpa. Se um cordeiro fosse caro demais para a família, os pais podiam trazer, em seu lugar, uma segunda rola ou pombo. Foi isso que Maria e José fizeram.

Jesus era o Filho de Deus, mas sua família realizou essas cerimônias de acordo com a lei de Deus. Jesus não nasceu acima da lei; ao contrário, Ele a cumpriu à perfeição” (Bíblica Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2015, p.1282).


Fonte: Livro de apoio - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Lições Bíblicas CPAD - 2º trim.2017 adultos - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD


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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Uma séria advertência aos Discípulos

E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” Lc 6.46



Se por um lado a igreja evangélica brasileira caminhou, por muitas décadas, sob o peso de uma religiosidade que em nada se parecia com o Evangelho, por outro, adentramos em um tempo em que a falta de compromisso e a irreverência tomaram conta. Vivemos uma época em que, infelizmente, quase não se conhece a Bíblia. A despeito de tantas versões do Livro Sagrado, não há uma preocupação em conhecer mais da Palavra de Deus. Nunca se viu tanta literatura, mas ao mesmo tempo, tanta gente reproduzindo frases nas redes sociais, algumas até antibíblicas, como se fossem parte da Escritura. Antigamente ouvíamos falar em pessoas que eram apenas “crentes nominais”, pois nada tinham com a igreja. Atualmente, as igrejas são até frequentadas, mas cabe perguntar acerca da qualidade dos hinos, ou seja, de suas letras, o quanto são bíblicas ou apenas produto da imaginação formada pelo pragmatismo religioso. Os templos, alguns apinhados, por conta de pregadores famosos, parecem mais entreter que desafiar os crentes. A despeito de tudo isso, a advertência de Jesus Cristo continua atual e ainda há muitos servos do Senhor comprometidos com ela. Aos que levam uma vida sem qualquer respeito para com o Senhor, ainda que falando em nome dEle, ouvirão naquele dia que o Mestre não os conhece.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.21-23

21 — Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 — Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?
23 — E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

INTRODUÇÃO

Em face da seriedade de tudo que anteriormente foi exposto, o Mestre agora sublinha a gravidade de se observar o que Ele disse e não apenas atentar, de maneira interesseira, para as capacitações espirituais disponíveis aos que se colocam a dar continuidade à missão iniciada pelo Senhor e confiada aos discípulos. Fazer estas e não observar aquela resultará em uma grande decepção e, finalmente, numa sentença terrível. A penúltima lição soa como uma séria advertência aos que atenderam ao chamado do Mestre, ou seja, todos os discípulos que se dispõe a fazer a obra de Deus, pois Cristo nos ensina que é preciso fazer a sua obra sem, contudo, deixar de cumprir a vontade do Pai. Jesus tinha autoridade para falar acerca desse assunto, visto que Ele dissera que não veio fazer a sua vontade própria, mas sim a daquEle que havia lhe enviado (Jo 6.38). É legítimo que façamos a obra, porém, ela deve ser realizada segundo a vontade do Pai (1Co 3.10,11).

I. NÃO BASTA PRONUNCIAR. É PRECISO RESPEITAR E FAZER A VONTADE DE DEUS

1. Não basta chamar a Deus de Pai ou Senhor.
Através de Malaquias, o último profeta literário do Antigo Testamento, Deus repreende os líderes do povo escolhido dizendo: “O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?” (Ml 1.6). No questionamento, o Senhor deixa claro que de nada adianta dirigir-se a Ele chamando-o de Pai ou Senhor, mas não honrá-lo ou obedecê-lo como tal, pois isso é hipocrisia.

2. A pronúncia mecânica que em nada resultará.
Da mesma maneira que no Antigo Testamento o Senhor repreendeu aqueles que o chamavam de Senhor, mas não o honrava, o Mestre diz que nem todo aquele que lhe diz “Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus” (v.21). Apesar de a confissão ser importante, ela só tem valor se vier acompanhada do reconhecimento que lhe corresponda. Do contrário, é mera pronúncia mecânica e nada mais.

3. Praticando a vontade de Deus.
No complemento ao ensino de que pronunciar “Senhor” mecanicamente não será capaz de proporcionar à pessoa sua entrada no Reino dos céus, o Mestre diz que tal está reservado somente àquele que faz a vontade do Pai. O que Ele estava ensinando é que chamá-lo de Senhor, mas não fazer a vontade de seu Pai, isto é, obedecer o que anteriormente foi exposto como justiça do Reino, não tem valor algum (Mt 5.20-6.34). Confessando Jesus como nosso Senhor e fazendo a vontade do Pai nos tornamos discípulos de forma integral e coerente (Mt 21.28-32).



Confessar Jesus Cristo, em espírito e em verdade, não é apenas fazer uma pronúncia mecânica, antes, significa fazer a vontade de Deus.

II. ADQUIRINDO STATUS COM A OBRA DE DEUS E RECEBENDO UMA DURA SENTENÇA

1. A alegria de ver as maravilhas de Deus.
Conforme vimos na lição anterior, Deus mesmo permite que determinados sinais aconteçam sem que, no entanto, o tal realizador tenha compromisso algum com Ele (Dt 13.1-5). A Palavra de Deus diz que a “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7), sendo assim, é preciso entender que tal utilidade é aferida pelo próprio Espírito, e não por nós mesmos. Ao enviar os setenta discípulos para fazer a obra de Deus, o Mestre notou que eles voltaram regozijando e cheios de alegria (Lc 10.1-17). Tal felicidade é legítima, pois realmente é maravilhoso ver Deus realizar prodígios por intermédio de nossas vidas.

2. O perigo do status.
Conquanto seja algo maravilhoso realizar a obra de Deus, é preciso ter muito cuidado para não querer usurpar a glória que pertence somente a Deus (Is 42.8). É fato que todos aqueles que realizam a obra do Senhor sejam notados e distinguidos. Porém, é preciso maturidade e lucidez para reconhecer-se apenas como canal e não portador do poder de Deus (At 3.11-16). Na visão materialista, ser canal de Deus gera tanto status que já houve quem quisesse comprar tais dons (At 8.17-24).

3. Uma dura sentença aos que fizeram a obra de Deus sem compromisso com o Senhor.
O Mestre diz que “naquele Dia” (v.22), isto é, no momento do juízo, os que aqui realizaram a obra de Deus sem compromisso com Ele, sem fazer a vontade do Pai, desfrutando apenas do status proporcionado por aqueles a quem o Espírito usa, não compreenderão por que estão sendo condenados mesmo depois de profetizar, expulsar demônios e fazer muitas outras maravilhas. A sentença será dura. O Mestre demonstra não os conhecer, pois pela condenação, percebe-se que tais pessoas apenas usufruíram, de forma desonrosa, e para praticar coisas erradas, do poder que lhes fora conferido por Deus (v.23).

Será muito triste descobrir-se, no dia do juízo, como alguém desconhecido por Jesus.

III. UMA ADVERTÊNCIA PARA O SACERDÓCIO ATUAL

1. A Grande Comissão.
A incumbência do Senhor aos seus discípulos, de que continuassem e dessem prosseguimento ao que Ele começou, é conhecida como a “Grande Comissão” (Mt 28.19-20; Mc 16.15-20; Lc 24.46-49; Jo 20.21). Além da pregação e do discipulado, ela envolve a operação de milagres da parte do Espírito de Deus (Lc 10.19).

2. A verdadeira alegria dos discípulos.
Ao enviar os setenta, os milagres aconteceram, e os discípulos voltaram felizes por isso (Lc 10.1-17). Ciente do perigo que tal “alegria” pode trazer se extrapolar o nível tolerado, o Mestre relembra-os: “Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lc 10.20). Esta deve ser a verdadeira alegria de todo discípulo.

3. O sacerdócio atual.
Na atualidade, a igreja toda, pelo fato de ela ser formada pelos discípulos do Mestre, é chamada a realizar a obra de Deus. O apóstolo Pedro diz que nós, que não éramos povo, agora somos e temos tal incumbência, isto é, somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Portanto, cuidemos para que a obra de Deus seja realizada, mas que igualmente pratiquemos a vontade de Deus, para que não venhamos a ouvir a dura sentença, mas, diferentemente, o bem-vindo amoroso do Mestre: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34b).

A realização da obra de Deus é uma obrigação dos discípulos. Mas devemos fazê-la com temor e cuidado.

CONCLUSÃO

A advertência do Mestre aos seus discípulos é oportuna, pois muitos iniciam bem, mas acabam se desvirtuando durante o trajeto. Continuemos a fazer a obra de Deus, sem descuidar com a necessidade de fazer a vontade do Pai, visto que, ao final, é isso que contará.

SUBSÍDIO
Falsa Profissão de Fé (7.21-23)
Enquanto a advertência anterior estava particularmente voltada aos líderes religiosos, esta trata do grupo de membros dentro da Igreja. O verdadeiro teste do discipulado é a obediência. Nem mesmo a pregação e a operação de milagres em Nome de Jesus Cristo prova que uma pessoa é aceita diante de Deus. O termo demônio, diabolos (‘Diabo’) é sempre singular no grego. A palavra aqui é plural, daimonia, ‘demônios’. A penalidade para a desobediência é a separação de Deus” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon: Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

“7.22 Muitos me dirão naquele dia
Nos versículos 22,23, Jesus declara enfaticamente que ‘muitos’ que profetizam, pregam ou realizam milagres em seu nome estão enganados, pensando que são servos de Deus quando, na realidade, Ele não os conhece. Para não ser enganado nos últimos dias, o dirigente de igreja, ou qualquer outro discípulo, deve apegar-se totalmente à verdade e à justiça reveladas na Palavra de Deus [...], e não considerar o ‘sucesso ministerial’ como padrão de avaliação no seu relacionamento com Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, pp.1399-400).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Tem dias que...

"Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei." Salmos 91:2

Tem dias que nos sentimos fortes como Josué e Calebe, prontos pra guerra...

Tem dias que preferimos nos esconder na caverna como Elias...

Tem dias que queremos cantar e dançar, como Davi e Miriã...

Tem dias que queremos chorar como Ana...

Tem dias que temos fé como Abraão para vencer tudo, saltar muralhas e derrotar exércitos...

Tem dias que elevamos os olhos para os montes e nos perguntamos de "onde nos virá o socorro"...?

Isso não quer dizer que somos fortes ou fracos...

Isso quer dizer que somos simplesmente humanos e limitados...

A grande diferença em tudo isso é "estar ao lado do SENHOR"


... tem dias que Jesus caminha comigo ao meu lado. Tem outros (aliás a maioria deles) sinto que Jesus me carrega no colo!

Que nesta batalha do dia a dia, estejamos 'todos os dias' ao lado do SENHOR pois só ELE é o nosso Refugio, a nossa Fortaleza, o nosso Socorro, a nossa Torre Forte, o nosso Farol, a nossa Luz, o nosso Esconderijo, a nossa Proteção, o nosso Escudo, a nossa Esperança, a nossa Vitoria, o nosso DEUS.

Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hebreus 4.16)


Que nossos olhos estejam em JESUS!
"Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro". (Isaías 45:22).


Aqui eu Aprendi!

sábado, 10 de junho de 2017

Maria, mãe de Jesus - uma serva humilde

Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” Lc 1.38

Devido ao equívoco de a igreja romana prestar culto e venerar Maria, caindo na “mariolatria”, há outro exagero no meio evangélico que representa o quase silêncio em relação à mãe do Salvador. Não se deve cultuar e venerar Maria, mas também não se deve ignorá-la e esquecê-la. A Bíblia diz que dentre as mulheres da Terra, Maria é a mais bem-aventurada: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28). A “agraciada” e “bendita” mãe do Salvador: assim chamou o anjo Gabriel em relação à Maria.

Maria de acordo com as Escrituras
Segundo os estudiosos, Maria aparece aproximadamente 150 vezes ao longo do Novo Testamento. Mas o livro de Lucas é o Evangelho que mais a menciona, pois das 150 vezes citadas no Novo Testamento, 90 vezes Maria está presente no Evangelho do autor gentílico. Em Lucas também consta o mais famoso cântico de Maria quando da anunciação da vinda do Salvador por intermédio do anjo Gabriel, o Magnificat (Lucas 1.46-55): “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador [...]” (vv.46,47). Quantas canções maravilhosas e edificantes não foram compostas a partir desse cântico precioso?! A beleza do Magnificat é poética, musical e essencialmente espiritual. E a expressão humana de agradecimento pelo presente recebido por Deus pelo privilégio de gerar o Salvador. E que privilégio! Humilde como era, Maria não se via merecedora de tão nobre missão, por isso, se dirigia humildemente diante do Pai com coração agradecido.
Mas além de Lucas, outros três Evangelhos (Mateus, Marcos e João) mencionam Maria (Mt 1.1-25; 2.10-23; Mc 3.20-21,31-35; 6.1-6; Jo 2.1-12; 19.25-27). Os Atos dos Apóstolos também a mencionam (1.14), bem como a carta do apóstolo Paulo aos Gálatas (4.4). Ora, os textos são abundantes e mostram como as Escrituras Sagradas levam em conta à mãe do Salvador.
Portanto, (1) com Maria aprendemos a ser humildes. Esta é uma das lições mais maravilhosas que a jovem Maria nos ensina. Mesmo após receber milagrosamente a visita de um anjo anunciando o milagre da concepção virginal do Salvador, Maria permaneceu extraordinariamente dependente de Deus. Mas também (2) com Maria aprendemos a ser gratos a Deus. O cântico de Maria mostra a sua gratidão ao Pai. Ao entoar louvores a Deus por gratidão pela tão nobre escolha que o Pai fizera, Maria agradece o Pai de todo o coração. Revista Ensinador Cristão nº70

Veja mais sobre o assunto:  Mariolatria  


Maria
“A maternidade é um privilégio doloroso. A jovem Maria, de Nazaré, teve o privilégio único de ser mãe do Filho de Deus. Maria foi o único ser humano presente no nascimento de Jesus que também testemunhou sua morte. Ela o viu chegar, como seu bebê, e o viu morrer, como seu Salvador.
Maria achou que a visita inesperada de Gabriel foi desconcertante e assustadora, a princípio, mas o que ela ouviu a seguir foi a notícia mais espantosa: seu filho seria o Messias, o Salvador prometido de Deus. Maria não duvidou da mensagem, mas perguntou como seria possível a gravidez. Gabriel lhe disse que o bebê seria Filho de Deus. A resposta de Maria foi perfeita: ‘Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1.38). Mais adiante, seu cântico de alegria nos mostra como ela conhecia bem a Deus, pois seus pensamentos se encheram de palavras do Antigo Testamento.
Quando Maria levou o menino Jesus, aos oito dias de idade ao Templo, para ser consagrado a Deus, encontrou duas pessoas devotas, Simeão e Ana, que reconheceram a criança como o Messias, e louvaram a Deus. Simeão dirigiu a Maria algumas palavras que ela deve ter recordado muitas vezes, nos anos que se seguiram: ‘uma espada transpassará também a tua própria alma’ (Lc 2.35). Uma grande parte de seu doloroso privilégio da maternidade seria ver seu filho rejeitado e crucificado pelo povo que Ele tinha vindo para salvar. Podemos imaginar que, mesmo que ela tivesse sabido tudo o que iria sofrer, como mãe de Jesus, Maria ainda teria oferecido a mesma resposta. Como Maria, você também está disponível para ser usado por Deus?”  (Bíblica Cronológica Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2015, p.1283)

Maria, mãe de Jesus, nos deixou um exemplo elevado de humildade e submissão à vontade de Deus.

Neste capítulo, conheceremos um pouco da história, da vida e do caráter de uma personagem da Bíblia de maior repercussão no cristianismo. Trata-se de Maria de Nazaré, uma jovem humilde, desconhecida, que residia numa das cidades menos importantes política e socialmente falando de toda a Palestina. Os nomes de seus pais não são registrados na Bíblia, o que comprova sua origem humilde e sem influência na sociedade onde vivia.

Maria, porém, foi escolhida por Deus para protagonizar o papel mais importante que uma mulher poderia receber em toda a sua vida. Foi uma missão singular e única na história das mulheres em todos os tempos. Ela recebeu a missão de ser mãe de Jesus Cristo, o Verbo que “se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Em seu ventre, ela acolheu, de forma singular, aquEle que veio ao mundo para salvar a humanidade perdida.

Maria foi a única mulher no mundo que teve uma concepção que não envolveu a semente do homem, contaminada pelo pecado. Ela não foi concebida sem pecado, como ensina o catolicismo romano, mas concebeu Jesus sem pecado, por ter sido gerado pelo Espírito Santo, e não pelo processo natural da fecundação humana. As leis da reprodução e a genética foram ativadas pelo poder sobrenatural de Deus, para que ela se tornasse a “semente da mulher”, prometida por Deus no Éden, logo após a Queda dos primeiros seres humanos que foram criados por Deus (cf. Gn 3.15).

Por se tratar de uma mulher que teve uma missão tão nobre e digna e além da imaginação de qualquer ser humano, Maria, mãe de Jesus, tem sido alvo de muitas controvérsias e versões das mais diversas sobre o seu verdadeiro papel — de forma particular, no que concerne à visão que o catolicismo tem a seu respeito. Como a igreja católica não se guia apenas pela Bíblia como “regra de fé e prática”, e sim, de forma bem marcante, pela Tradição, o magistério católico considera Maria “Mãe de Deus”, e não somente mãe do Jesus Cristo homem. Sendo Jesus Deus, eles dizem — numa lógica racional simplista — que forçosamente ela tem que ser a “mãe do Criador”, a mãe de Deus.

A Bíblia, no entanto, mostra-nos que não devemos ir “além do que está escrito” (cf. 1 Co 4.6 b). Os cristãos não devem aceitar especulações teológicas ou hermenêuticas que não são fundamentadas na ortodoxia da Palavra de Deus. Maria jamais poderia ser “Mãe de Deus”, pois, sendo criatura, não poderia ser mãe do Criador. Mesmo Jesus sendo Deus, o agente da criação, Maria, de modo singular e extraordinário, foi mãe de sua natureza humana, mas não da divindade de Jesus. Além dessa conclusão, com base na Palavra de Deus, a própria Maria, a mais “bendita [...] entre as mulheres” (Lc 1.42), nunca reivindicou glória para si e nem para seu nome. Muito pelo contrário! Ela considerou-se “serva” e também carente de salvação. Ao receber a mensagem da anunciação do nascimento de Jesus, ela exclamou: “[...] Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38).

Em seu cântico de exaltação a Deus, Maria demonstrou ter consciência de sua condição humana, imperfeita e objeto da salvação de Deus. Ela cantou jubilosa e reverente, demonstrando como se sentia diante de Deus e por ter sido escolhida para tão grande missão: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46,47). Com profundo respeito, meditemos no testemunho, no caráter e na vida dessa extraordinária mulher que foi Maria, a mãe de Jesus.

I - MARIA, A MÃE DE JESUS

1. Quem Era ela
O nome Maria era muito comum no seu tempo. Deriva do nome hebraico Miriã, fazendo alusão à irmã de Moisés, o líder do Êxodo. Na Septuaginta, versão grega do A.T., o nome original é Mapiaç ou Mapiap (Maryam). O nome da mãe de Jesus foi tão importante nos países cristãos que Maria, atualmente, talvez seja um dos nomes mais comuns em muitos lugares. A respeito dela, o texto bíblico traz poucas informações, embora todas relevantes e cheias de significado espiritual. Não há registro sobre o nome de seus pais. A Tradição católica afirma que seus pais foram São Joaquim e Santa Ana. O texto bíblico não confirma esse entendimento. Maria era da linhagem real, descendente do rei Davi. Mateus registra a genealogia de Jesus, dizendo: “Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão [...]. Jessé gerou ao rei Davi, e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias” (Mt 1.1,6). Essa é a ponta inicial da linhagem real que vincula Maria a Davi.
O texto prossegue até o versículo 15, que diz: “e Eliúde gerou a Eleazar, e Eleazar gerou a Matã, e Matã gerou a Jacó, e Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo” (w. 15,16). Os judeus tinham consciência de que o Cristo viría da descendência de Davi (Jo 7.41,42). Paulo citou que Jesus “[...] nasceu da descendência de Davi segundo a carne” (Rm 1.3). Assim sendo, como Jesus nasceu no ventre de Maria, ela era da descendência de Davi. Mas a sua ascendência real indica que ela pertencia à tribo de Levi. Essa conclusão se deve ao fato de ser ela prima de Isabel, e esta era da tribo de Levi: “Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote, chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; o nome dela era Isabel” (Lc 1.5 - grifo nosso). Arão era o sumo sacerdote que tinha de ser da tribo de Levi.

O lugar de seu nascimento e seu nome estão bem destacados. O texto diz que ela era de Nazaré, cidade da Galileia, ao Norte de Israel; e que ela era “desposada” com um homem chamado “José, da casa de Davi”, e que seu nome era Maria, e ela era “virgem” (Lc 1.26,27). Nazaré era uma cidade sem grande importância (cf. Jo 1.46) no contexto político e geográfico de Israel, mas a escolha de uma jovem daquele lugar já nos mostra que, em seu plano de redenção, Deus quebra paradigmas humanos e convencionais. Ele não escolheu uma jovem de família abastada, no contexto social de uma grande metrópole, como Antioquia, Atenas, ou mesmo Jerusalém, a capital de Israel. Mas, dos céus, olhou para a pequenina e desprestigiada Nazaré e escolheu uma jovem, certamente uma camponesa, humilde e desconhecida para o cumprimento de sua promessa feita no Gênesis. Deus usa as coisas menos importantes aos olhos humanos, em sua vaidade e presunção, para confundir “as que são” (1 Co 1.27-29).

2. Suas Qualidades e seu Caráter
Nazaré foi escolhida para entrar para a história da redenção não por sua importância, mas, sim, por causa da pessoa que seria escolhida por Deus. Maria, porém, foi escolhida para ser mãe do Salvador, antes de tudo, por decisão divina, mas também, sem dúvida alguma, por suas qualidades espirituais e morais. Havia muitas moças em Israel com qualificações intelectuais, sociais, ou econômicas que poderiam ter entrado na lista das prováveis receptoras do nascimento do Messias.

Gardner diz que “Maria, mãe de Jesus, é uma das figuras mais proeminentes da Bíblia. Sua vida foi caracterizada pela fé, humildade e obediência à vontade de Deus. Ela também ocupa uma posição única na história humana, como a mulher escolhida pelo Senhor para conceber Jesus, o Salvador do mundo”.1 Cremos, no entanto, que Deus fez uma triagem e selecionou Maria de Nazaré para ser a escolhida por seu caráter puro e santo. Não devemos divinizá-la, nem tampouco subestimar o seu papel de grande relevância no plano de Deus para a salvação do homem. Podemos destacar qualidades dignas daquela jovem sobre quem Deus pôs seus olhos.

1) Ela era virgem.
Gabriel, o mensageiro celeste, foi enviado especialmente da parte de Deus à cidade de Nazaré “a uma virgem”, cujo nome era “Maria” (Lc 1.26,27). Naqueles tempos, a virgindade física de uma jovem era um valor de grande significado espiritual e moral. Falando sobre a glória de Jerusalém, o Senhor diz que “como o jovem se casa com a donzela, assim teus filhos se casarão comigo [...]” (Is 62.5). Ela era desposada (ou noiva) com José, o jovem carpinteiro, mas mantinha-se pura em seu estado moral. José não teve relações com Maria antes de ela dar à luz a Jesus (Mt 1.25). Sua virgindade era indispensável para o cumprimento da profecia de Isaías (7.14), 760 anos antes de Cristo, destacada por Mateus em seu livro: “Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: Deus conosco)” (Mt 1.22,23).

Nos dias presentes, uma adolescente ou jovem ser virgem é motivo de deboche em meio a uma sociedade sem Deus, que despreza os princípios espirituais e éticos da Palavra de Deus. Infelizmente, até mesmo nos meios evangélicos, a pureza que Deus requer dos jovens tem sido relativizada. Segundo estatísticas não oficiais, 57% dos jovens evangélicos brasileiros praticam o sexo antes do casamento, cometendo o pecado da fornicação (At 15.29; Ap 21.8). Paulo fala da preparação da Igreja por Cristo, como “uma virgem pura a um marido” (2 Co 11.2). Os princípios e valores éticos da Bíblia não mudam com o tempo ou os lugares. A depravação no Brasil é tão grave que o governo comprovou que a prática de sexo pelas meninas começa aos 10 anos! Diante disso, o exemplo de Maria é muito eloquente contra a pecaminosidade reinante na juventude.

2) Ela era agraciada.
Diz Lucas: “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada [...]” (Lc 1.28a). O termo quer dizer que ela foi honrada por Deus ou “muito favorecida”, recebendo a graça de Deus não apenas naquele momento, mas também no restante de sua vida. Deus sempre procura pessoas assim: simples, humildes, despretensiosas, despojadas de ambições carnais. Isso aconteceu com José, com Ester, com Davi, com Débora e com tantos outros chamados por Deus em sua condição humilde. A jovem Maria jamais imaginara que estaria sendo observada dos céus pelo Senhor e Criador do Universo. Em Nazaré, na basílica que tem seu nome, há uma inscrição numa gruta, sugerindo que o anúncio angelical havia sido ali. Não há, porém, base bíblica para isso. É pura tradição. Maria pode ter recebido a visita do anjo quando estava cuidando dos seus afazeres domésticos, ajudando seus pais.

3) Ela tinha a presença do Senhor.
Em sua mensagem, que foi diretamente da parte de Deus, o anjo disse: “[...] o Senhor é contigo [...]” (Lc 1.28b). Não temos dúvida de que Maria era uma jovem dedicada a Deus; cremos que ela estava em comunhão com o Senhor e desenvolvia uma vida devocional intensa e amorosa. Ao dizer que o Senhor era com ela, o anjo declarou o que talvez ela não tivesse consciência de forma tão clara. Deus estava do seu lado. Deus estava com ela. Maria tinha a presença do Senhor. Essa expressão foi usada por Deus para outros instrumentos escolhidos por Ele. Deus assim falou a Josué (Js 1.9); a Gideão (Jz 6.12), com Israel; “Não temas, porque eu sou contigo [...]” (Is 41.10a). Por sua condição de pertencer a uma família humilde, num lugar de pouca expressão em Israel, Maria não deve ter sido notada por nenhuma pessoa importante. Deus, no entanto, “dá graça aos humildes” (Tg 4.6; 1 Pe 5.5). Ele “eleva os humildes” (SI 147.6).

4) Ela era bendita entre as mulheres.
O anjo declarou ante o olhar de espanto de Maria: “[...] bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28c). Com essa expressão, o anjo quis enfatizar que, para Deus, ela era abençoada, ditosa e feliz. No meio de tantos milhares de mulheres em Israel, ser alcançada por tão grande deferência da parte de Deus era algo acima de qualquer pensamento humano. Quem imaginaria que uma jovem de Nazaré, pobre, desconhecida, de família tão humilde, que sequer os nomes de seus pais são mencionados fosse a escolhida por Deus para ser a mulher que acolheria em seu ventre o Salvador do mundo? Dias depois, ao visitar Isabel, sua prima, que também estava grávida, ela ouviu-a dizer: “Bem-aventurada a que creu [...]” (Lc 1.45a).

II - A ELEVADA MISSÃO DE MARIA

1. Deus Escolheu Maria para ser Mãe do Salvador
Depois das palavras do anjo, Maria sentiu temor em seu coração por não entender como poderia ela ouvir coisas tão elevadas a seu respeito: “E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta” (Lc 1.29). Era a reação natural de uma moça que nunca tivera experiência tão profunda em sua vida de comunhão com Deus. A presença de um anjo diante dela já era motivo para sentir-se abalada em suas emoções, e, ao ouvir tal saudação, seus sentimentos foram inquietados com profundo temor e reverência. Ao perceber o temor de Maria, o anjo procurou acalmá-la e, ao mesmo tempo, fez uma revelação mais inquietante ainda, que a deixou perplexa: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, e eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc 1.30-33).

Quando José tomou conhecimento de que Maria, mesmo sem ter coabitado com ele, estava grávida de um menino, ele, então, como um bom homem de Deus, um homem justo, preferiu ir embora para bem longe, secretamente, sem infamá-la. Deus, contudo, viu suas atitudes e revelou-se a ele em sonho: “Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.19-21). Ao escolher Maria, Deus também incluiu José no plano da redenção do homem através da “semente da mulher” —Jesus (Gn 3.15).

2. O Anúncio de que ela Seria Mãe de Jesus
Certamente, se o anjo procurou acalmar o coração de Maria, acabou deixando-a mais impactada com sua mensagem, pois declarou a ela que, mesmo sendo uma virgem, haveria de dar à luz um menino a quem deveria pôr “o nome de JESUS”. E o anjo descreveu as características daquele menino, dizendo que ele seria “grande”; seria “chamado Filho do Altíssimo”; e seria Rei, pois Deus lhe daria “o trono de Davi, seu pai”, e reinaria “eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim”! Era uma mensagem muito forte aos ouvidos e ao coração da jovem simples de Nazaré. Maior admiração e espanto perturbaram sua mente. “E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?” (Lc 1.34). A pergunta tinha plena razão de ser feita dentro da lógica humana. Ela não era uma moça qualquer, uma promíscua ou leviana. Mesmo sendo desposada com José, os dois nunca tinham tido qualquer relação sexual (Mt 1.25). O plano de Deus, porém, transcende a todo o tipo de lógica ou razão de natureza humana. Deus não faz coisas sem lógica, mas, sim, segundo a sua própria lógica: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55.8).

Ao ouvir a exclamação de Maria sobre o ser mãe, sendo ela uma virgem, o anjo completou as informações e explicações que ela precisava ouvir, ainda que fossem elevadas demais para a sua compreensão humana. O anjo esclareceu que o nascimento de Jesus não seria por um processo biológico natural, e sim por uma ação sobrenatural do Espírito Santo: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). Ao tranquilizar Maria, o anjo ainda lhe fez saber que a mão de Deus também seria estendida de forma miraculosa sobre Isabel, sua prima: “E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.36,37). Diante dessas explicações do anjo, Maria demonstrou outra qualidade que lhe era peculiar e que muito agradara a Deus — a sua submissão à vontade do Senhor: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38).

3. Maria, Mulher e Mãe
Desde a gravidez, Maria soube comportar-se como verdadeira mãe, cheia de amor e cuidado, ao lado de José. Com resignação e paciência, ela suportou as dificuldades que teve para dar à luz e precisou deslocar-se de Nazaré a Belém para alistar-se com o esposo num censo decretado pelo governo.

1) Os cuidados no nascimento de Jesus.
Ali chegando, Maria não teve onde hospedar-se, na iminência de ter o seu filho: “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.6,7). Imaginemos agora uma jovem mãe prestes a dar à luz a seu primeiro filho ver os trabalhos de parto chegarem e não ter lugar certo para ter a criança. José também deve ter-se preocupado, mas Deus proveu uma solução que marcou o nascimento do Salvador do mundo. Cuidadosamente, com o auxílio de José, Maria deu à luz a Jesus, “envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura” (v. 7), num coxo para alimentar animais. Um tremendo contraste! Um Rei nascendo numa manjedoura!
Enquanto as pessoas ficavam maravilhadas com o relato dos pastores de Belém que encontraram o pequeno infante, anunciado por um coro celestial naquele lugar tão esquisito, Maria demonstrava a humildade e a prudência de uma verdadeira serva de Deus. Ela guardava tudo o que ouvia em seu coração: “Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração” (Lc 2.19).

2) O cuidado em cumprir a Lei do Senhor.
Maria mostrou sua devoção e cuidado em cumprir a palavra de Deus, concernente ao nascimento e primeiros dias de seu filho. Ao completar os oito dias de nascimento da criança, Maria e José fizeram-no passar pelo doloroso processo da circuncisão (Lc 2.21). Depois de 33 dias de purificação (Lv 12.4), eles levaram o menino para ser apresentado para ser consagrado ao Senhor, conforme a Lei (Êx 13.2). Naquela cerimônia, como eram muito pobres e não podiam adquirir um cordeiro, eles levaram “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2.22,23). Após cumprir todo o ritual previsto na Lei, Maria e José voltaram para Nazaré.

3) Outros filhos de Maria.
Depois de ter Jesus, Maria teve outros filhos. Diz Mateus: “E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a este a sabedoria e estas maravilhas? Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas?” (Mt 13.54,55). A igreja católica insiste em dizer que Maria só teve Jesus para sustentar o dogma da virgindade perpétua de Maria. Proclamado em 649 d.C. no Concilio Ecumênico de Latrão, houve uma declaração condenatória para quem discordasse desse dogma. Diz o texto: “Seja condenado quem não professar, de acordo com os santos Padres, que Maria, mãe de Deus em sentido próprio e verdadeiro, permaneceu sempre santa, virgem e imaculada quando, em sentido próprio e verdadeiro, concebeu do Espírito Santo, sem o concurso do sêmen de homem, e deu à luz Aquele que é gerado por Deus Pai, antes de todos os séculos, o Verbo de Deus, permanecendo inviolada a sua virgindade também depois do parto”.2

Essa condenação não tem efeito algum na vida dos que professam a verdadeira fé cristã. A argumentação sobre os irmãos de Jesus levou a igreja católica a sustentar o dogma da imaculada conceição e sua virgindade perpétua. No tempo de Maria, uma mulher que não tivesse filhos era considerada amaldiçoada por Deus, que lhe ferira a madre. O simples fato de ter filhos na época de Maria era sinal de bênção, de galardão. Diz o salmo sobre o valor da maternidade: “Quem é como o Senhor, nosso Deus, que habita nas alturas [...]; que faz com que a mulher estéril habite em família e seja alegre mãe de filhos? Louvai ao Senhor!” (SI 113.5,9). “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão” (Sl 127.3).

III - O SEU PAPEL NO PLANO DA SALVAÇÃO

1. Ela Deu à Luz "a semente da mulher"
Sua missão ou o seu papel no plano da salvação foi previsto por Deus no Éden, no cenário da Queda. Ali, após a tragédia do pecado, por amor e misericórdia, Deus declarou, na repreensão a Satanás, ainda na sua forma de serpente: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Essa declaração divina é considerada o “protoevangelho” de Deus. Em sua presciência, no princípio de tudo, Deus já via a jovem de Nazaré como a escolhida para cumprir seus propósitos na redenção do homem. Maria era aquela que encarnara as condições para atender aos requisitos de Deus para receber em seu ventre o salvador do mundo. Diz Paulo: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5). Jesus, que ofereceu o perfeito sacrifício, trouxe a verdadeira e perfeita expiação para o que nEle crê. Desse modo, somente através da expiação é que a ira de Deus é aplacada, livrando o pecador da condenação eterna, que é o fim de todos aqueles que não se arrependem de suas transgressões contra a santidade de Deus. Com a expiação, Deus pune o pecado e livra o pecador que aceita o sacrifício de Cristo em seu lugar. Nesse plano divino, Maria teve participação especial, acolhendo em seu ventre o Filho de Deus, que se fez Filho do Homem, para remir todos os homens que o aceitam como salvador.

2. Maria não É Redentora
Nos primórdios da Igreja, não havia qualquer menção a outro papel de Maria, a mãe de Jesus, a não ser a elevadíssima missão de ser mãe do Salvador do Mundo. Ela própria jamais reivindicou para si nenhuma honraria ou adoração. Maria era bastante humilde e sábia para reconhecer seu lugar no plano salvífico de Deus. Diante da anunciação de que seria mãe de Jesus, ela, humilde e reverentemente deu a sua resposta de acordo com seu caráter de serva e mulher submissa à vontade de Deus: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38). Nos ensinos do Novo Testamento, não existe nenhuma base para considerar Maria como redentora ou como mediadora entre Jesus e os homens, como ensina a igreja católica. Esse e outros ensinos não têm fundamento bíblico, porém são aceitos como dogmas, ou proposições de fé que não admitem questionamento ou crítica. Tal posicionamento é perigoso, pois a Bíblia diz que “[•••] por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito [...]” (1 Co 4.6).

O ensino de que Maria é redentora e mediadora provém do dogma romano, estabelecido no Concilio de Efeso, realizado em 431 d.C. No Concilio, discutiu-se acerca da maternidade de Maria — se ela era apenas mãe de Cristo homem ou Mãe de Deus. A conclusão dogmática foi: se Maria era mãe de Jesus, e Jesus é Deus, logo ela era mãe de Deus. Tal conclusão fere a revelação bíblica por várias razões. Deus é eterno. Como teria Ele mãe? Jesus é eterno como Deus. Como poderia Maria ser mãe da condição divina de Cristo? Maria é criatura, nasceu de um pai e de uma mãe humanos. Como poderia ela ser mãe do Criador? Deus é imortal. Como poderia Maria, uma pessoa mortal, dar à luz a um ser imortal? São questões que, por si só, já trazem a resposta de que tal crença ou ensino é extrabíblico e discordante da ortodoxia bíblica.

Logo, como Maria não poderia ser divina, não pode ser atribuído a ela o papel exclusivo de Cristo, de ser o Redentor. Ele, e somente Ele, ofereceu-se em sacrifício pelo homem perdido. Só Ele foi “declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos —Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.4). A declaração de Jesus é direta, incisiva e contundente sobre quem é o salvador: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.16-18). Considerar Maria num papel que não lhe foi destinado por Deus é incorrer no pecado da mariolatria, o que não condiz com o caráter humilde, submisso e santo da mãe de Jesus.

3. Maria não É Mediadora
Como decorrência do dogma da imaculada conceição de Maria, considerando-a “mãe de Deus”, os católicos romanos entendem que ela tem méritos para ser intermediária entre os homens e Jesus. Não se pode negar a honra e os privilégios que Deus concedeu a Maria de Nazaré para ser a mãe do Filho de Deus, encarnado em seu ventre. Em toda a história da humanidade, ela foi a única mulher que concebeu pela intervenção do Espírito Santo. Mas a ela, não se deve render culto ou adoração. Jesus disse: “[...] Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Nenhum ser na terra ou no céu recebe adoração, a não ser Deus e seu filho Jesus Cristo. João, na revelação de Patmos, quis prostrar-se aos pés do anjo, mas o mensageiro celeste não aceitou: “E eu lancei-me a seus pés para o adorar, mas ele disse-me: Olha, não faças tal; sou teu conservo e de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Ap 19.10; 22.9 - grifo nosso).

Maria tinha plena consciência do seu lugar no plano de Deus. Ela nunca arrogou para si o título de medianeira ou mediadora, e jamais de “mãe de Deus”. Ela reconheceu sua condição de “serva do Senhor”: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38). Maria reconhecia sua condição humana, atingida pelo pecado original. Ela demonstrou isso em seu cântico de exaltação a Deus: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46,47 - grifo nosso). Ela tinha a consciência de que era pecadora e que Deus era seu Salvador.

Diante desses argumentos com base na Bíblia, como surgiu, então, a doutrina de que Maria é mediadora entre Deus e os homens? Com toda certeza, surgiu com base na Tradição e em ensinos extrabíblicos que visam acrescentar à fé aquilo que não teve o respaldo na Palavra de Deus. O dogma da Assunção de Maria diz que: “E de fé que Maria Santíssima subiu ao céu em corpo e alma”. O Papa Pio XII, em sua bula Munificentíssimo Deus (de 1º de novembro de 1950) fala sobre a morte de Maria, num trecho, e, em outro, proclama: “[...] quando o curso de sua vida terrena terminou, (ela) foi levada de corpo e alma para a glória do céu”.3 Diz um texto que exalta Maria à condição de medianeira: “Santo Bernardino afirma que, ao terceiro dia após a morte de Maria, quando os apóstolos se reuniram ao redor de sua tumba, eles a encontraram vazia. O corpo sagrado tinha sido levado para o Paraíso Celestial... Maria teve que ser coroada Rainha dos Céus pelo Pai Eterno: ela teve que ter um trono à mão direita do seu Filho... Agora, dia a dia, hora a hora, ela está rogando por nós, obtendo graças por nós, preservando-nos do perigo, escudando-nos contra a tentação, derramando bênçãos sobre nós”.4 Essa crença de que Maria está no Céu e roga pelos homens tem respaldo na liturgia católica em orações ditadas pelos ensinadores católicos. A oração mais conhecida no catolicismo, a Ave Maria, reforça a ideia de que Maria é mediadora ou intercessora. “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora, e na hora de nossa morte, amém”.

Se tal acontecimento fosse verdadeiro, cremos que o Espírito Santo não o desprezaria e determinaria que fosse incluído no texto bíblico. Essa versão apócrifa diz que Maria ressuscitou ao terceiro dia como Jesus! Foi levada ao Paraíso como Jesus! E tem “um trono à mão direita do seu Filho”! Se isso fosse verdade, não haveria mais a Trindade no céu, e sim uma “Quaternidade”, o que contraria frontalmente todo ensino da Bíblia sobre a triunidade de Deus. Basta um ensino errado como esse para prejudicar toda a ortodoxia bíblica e levar tantos ao erro e a heresias. Se não bastasse o ensino herético de que Maria ressuscitou ao terceiro dia, o mesmo Bernardino de Sena diz, numa terrível blasfêmia, subordinando até Deus à suposta autoridade de Maria: “[...] Bernardino de Sena (também canonizado pelo Vaticano) diz: Todas as coisas são sujeitas ao império da Virgem, até mesmo o próprio Deus”!5 Um ensino como esse jamais honra Maria, a Mãe de Jesus como Homem. Só pode ser de origem maligna para confundir as mentes incautas, levando-as à mariolatria. A Bíblia é clara como a luz do dia com relação ao relacionamento do homem com Deus, exclusivamente através de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. À Maria, não foi concedida a posição de deusa (para ser mãe de Deus), nem de mediadora entre Deus ou entre Jesus e os homens.

• Jesus é o mediador perfeito. Não há necessidade de outro mediador ou de uma mediadora. “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Tm 2.5).

• Somente Jesus tem o direito e a autoridade para interceder pelos salvos, porque Ele, e somente Ele, morreu na cruz para nos salvar: “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34).

• O único Sumo Sacerdote pelo qual podemos chegar a Deus é Jesus: “[...] mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.24,25).


CONCLUSÃO

Maria, como a única mulher no mundo que foi escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, que se fez homem para salvar o ser humano, merece todo respeito, honra e reconhecimento de seu papel no plano de Deus em relação à humanidade. Na presciência de Deus, ela já era “a semente da mulher” (Gn 3.15), que haveria de ferir a cabeça da serpente, que é o Diabo. Ela foi a única mulher que concebeu pelo Espírito Santo. Entretanto, não há qualquer base bíblica para que lha rendamos culto, adoração ou a consideremos mediadora entre Deus e os homens, pois esse papel é exclusivo de Cristo Jesus, Nosso Senhor.


1 GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada, p.435.
2 Maria Sempre Virgem. Disponível em: http://www.firanciscanos.org.br/, acesso em 23.10.2016.
3 PFEIFFER, Charles F. etal. Dicionário Bíblico Wiclyffe. p.1232.
4 Maria e os evangélicos. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/Seitas/Romanismo/MariaEOsEvangelicos-NNincao.htm. Acesso em 20/10/2016.
5 Ibid.

Fonte: Livro de apoio - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Lições Bíblicas CPAD - 2º trim.2017 adultos - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD


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