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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Morre o Evangelista Billy Graham

Morre Billy Graham, aos 99 anos

Conselheiro de presidentes, ele era considerado o maior evangelista do mundo moderno

Billy Graham foi um dos maiores evangelistas dos últimos tempos. (Foto: BGEA)
Faleceu nesta quarta-feira (21) o evangelista mundialmente conhecido Billy Graham. Ele tinha 99 anos, e morreu em sua casa em Montreat, na Carolina do Norte (EUA). A notícia foi dada por Jeremy Blume, porta-voz da Associação Evangelística Billy Graham.

Nos últimos anos ele vinham lutando contra o mal de Parkinson e desde 2005 não realizava mais as cruzadas públicas que o tornaram famoso. Em 2013 transmitiu os últimos programas televisivos, na campanha “Minha Esperança”, criada pelo seu ministério.

A família enviou uma nota à imprensa com palavras escritas pelo neto Will, que também é evangelista:

“Meu avô disse uma vez: ‘Um dia você vai ouvir que Billy Graham morreu. Não acredite nisso. Naquele dia, eu vou estar mais vivo do que nunca! Vou ter apenas mudado de endereço’. Meus amigos, hoje meu avô mudou-se da terra dos mortos para a terra dos vivos. Lamentamos que ele não esteja mais conosco fisicamente, aqui na Terra, mas não nos entristecemos como aqueles que não têm esperança. Meu avô investiu toda a sua vida em compartilhar a promessa da eternidade através de Jesus Cristo, e hoje ele teve a oportunidade de ver essa promessa cumprida quando, ajoelhando-se diante de seu Salvador ouviu as palavras: ‘Muito bem, servo bom e fiel’”.

Grande Legado

William Franklin “Billy” Graham nasceu em 7 de novembro de 1918. Era de família evangélica, tendo se batizado aos 16 anos. Após graduar-se em teologia na Faculdade de Wheaton, foi ordenado pastor batista em 1939. Foi co-fundador da Youth for Christ [Mocidade para Cristo] junto com Charles Templeton.

Começou a viajar como evangelista por todo os Estados Unidos até que em 1949 realizou a primeira grande cruzada. Anos depois, iniciou seu ministério internacional, com missões em Londres que duraram 12 semanas, em 1954. Seus eventos sempre foram em locais públicos, como parques e estádios.

Sempre desfrutou de uma reputação privilegiada, focando-se exclusivamente na mensagem de salvação pela fé em Jesus Cristo. Esteve em lugares que para outros evangelistas parecia impossível. Durante as décadas da Guerra Fria, Graham conseguiu pregar para multidões em países da Europa Oriental e da antiga União Soviética.

Esteve no Brasil com cruzadas no Rio de Janeiro em 1960, 1974. Retornou em 2000 para uma em Recife e a última foi em São Paulo, em 2008.

Ao longo de seu ministério público de 60 anos, estima-se que tenha pregado a 210 milhões de pessoas, em 185 países. Além disso, escreveu dezenas de livros e promoveu a evangelização através de programas de rádio, TV e pela internet.

Um dos mais influentes pregadores do século XX, serviu como conselheiro de diversos presidentes da república americanos e figurou sucessivas vezes em listas de pessoas “mais influentes do mundo” da revista Time.

Casou-se em 1943 com Ruth Graham. O casal teve 5 filhos, 19 netos e 28 bisnetos. Seus filhos Franklin Graham e Anne Graham Lotz também são evangelistas, e deram continuidade ao trabalho do pai.

Fonte: GOSPELPRIME

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O Eunuco mor e a Rainha de Candace

"E o anjo do Senhor falou a Filipe dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta." Atos 8:26

E o anjo do Senhor falou a Felipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava e assentado em seu carro lia o livro do profeta Isaías Atos 8:26-27.

O eunuco mor e a rainha de Candace  eram gentios, estavam em Jerusalém para adorar o Deus dos judeus e voltavam para casa por um caminho em Gaza, uma estrada deserta e pouco trafegada. Existem algumas perguntas que poderíamos fazer considerando todo o contexto: Por que esses influentes etíopes retornavam a Africa por um caminho deserto? Por que vieram de tão distante para reverenciar O Deus de Israel? Quem era essa rainha e esse mordomo-mor?

Alguns historiadores tiveram a preocupação de recolher dados significativos sobre esses dois personagens. Candace era uma denominação dada para as rainhas mães no reino de Kush, ou Cão. Um clássico escritor romano (Calistenes) deixou registrada sua admiração pelas Candaces. Segundo ele, elas eram mulheres fortes e de uma sabedoria ímpar. Ele cita o diálogo de uma Candace com Alexandre o Grande que teria sido proibido de entrar na Etiópia:" Não menospreze nosso povo, nossa cor, porque nossas almas são tão brancas e brilhantes quanto o branco que há em você".

Dizem que após conhecer (de longe) a defesa formidável e o treinamento dos soldados de Candace, Alexandre teria desistido de enfrentar esse povo: perder a guerra para uma general mulher, seria vergonhoso. Estrabão*, em seu relatório sobre o confronto militar entre romanos e etíopes, descreve uma Candace como a maior estrategista militar que já havia visto.

A rainha da Etiópia e seu mordomo, tiveram que viajar cerca de 200 quilômetros para chegar até Jerusalém. A presença de judeus etíopes na cidade era comum, pois haviam adquirido certa influência, a Etiópia havia se tornado o primeiro centro de culto monoteísta do continente africano e tão fantástico foi o encontro do eunuco com o Evangelista Felipe, que escritores antigos como Jerônimo, contam ter sido o mordomo-mor de Candace um dedicado discípulo de Jesus, tendo apregoado o Evangelho na Arábia Felia e nas proximidades do Mar Vermelho chamada Caprobano (alguns chamam celião), onde supõe-se ter sofrido martírio pelo testemunho. O cristianismo foi reavivado como religião oficial na Etiópia no século IV, de 1644 a 1974 com a queda do imperador Haile Sellasie em 1974.

Um encontro real com Deus

O mordomo-mor era um oficial da corte, negro e castrado (eunuco). Um etíope interessado e estudioso das Escritura que parecia ter voltado de Jerusalém, incomodado com a passagem do livro de Isaías sobre o Cordeiro mudo levado ao matadouro (Isaías 53:7-8). As leituras nas sinagogas e templo, nessa época, eram feitas em voz alta e os pergaminhos do profeta Isaías que anunciam a vinda do Messias, devem ter sido centro de alguma pregação ouvida pelo eunuco que foi pelo caminho repetindo a passagem de Isaías.

E o anjo do Senhor falou a Filipe dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta. Atos 8:26.

A estrada era deserta, mas o mordomo não estava sozinho, nem invisível aos olhos de Deus. Filipe é avisado de forma sobrenatural que deveria encontrar o mordomo e explicar-lhe a passagem de Isaías.

Não existe lugar nenhum inacessível e oculto para Deus. Ele resgata vidas em todo e qualquer lugar da terra e utiliza as mais variadas formas de falar conosco.

O mordomo não podia entrar livremente no templo por ser considerado defeituoso. Só podia adorar do lado de fora. Não se sabe ao certo de que forma aconteceu a visita da rainha e do mordomo em Jerusalém, mas a estrada solitária, parecia refletir de fato, o estado de espírito em que se encontravam.

Apesar da posição de destaque, os judeus muito rigorosos e zelosos com a lei, devem ter proporcionado certo distanciamento entre a rainha de Candace, seu mordomo e a elite religiosa de Jerusalém.

Mas se os homens se mostram distantes de nós, por algum motivo preconceituoso, Deus não faz acepção de pessoas. O pecado e a rebeldia em ouvir Deus, são fatores que nos afastam Dele e não nossa condição física, social ou mesmo de nacionalidade.

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. Isaías 59:1-2

Deus nos encontra nos lugares desertos. Na estrada, a caminho de Gaza, o mordomo lia Isaías em sua carruagem, nem rainha, nem condutor, ninguém era capaz de acalmar seu espírito e resolver o conflito existencial que instigava seu ser sobre a salvação. Ele lia e relia os versos de Isaías e sabia que ali havia algo mais, uma revelação. E Deus providenciou Felipe para ajudar o eunuco.

Podemos estar rodeados de pessoas, mas ainda assim não estarmos felizes. Podemos mesmo, ter uma profissão de destaque, influência na sociedade e ainda assim, viver como em uma estrada deserta e ninguém, será capaz de resgatar nossa alma da solidão, só mesmo Deus.


Ele enviou Felipe a Gaza porque ouviu a oração, a angústia e o anseio do mordomo por conhecer o Messias. Deus também viu o esforço do mordomo e da Rainha ao se deslocarem de uma distância tão grande para irem ao templo. Digamos que o templo representa uma religião, mas ela não nos salva. Ela pode revelar que há um vazio em nós, uma necessidade de encontrar o Deus que preencha esse vazio, mas assim como o mordomo e a rainha voltavam para casa, por caminho deserto, a religião também faz com que pessoas continuem desertas em si mesmas e também no olhar sobre o mundo e o outro.

Deus sabe onde estamos e quais são nossas angustias, mas é preciso que oremos a Ele.

O mordomo-mor e a Rainha de Candace podem ter sido vitimas de preconceitos por parte dos judeus que chamavam samaritanos de impuros por serem idolatras e cananeus de cachorrinhos pelo mesmo motivo. Deus, contudo os acolheu com amor eterno, não deixou  que partissem vazios de Jerusalém. O historiador Fouard conta que a rainha de Candace também teria se convertido pelo testemunho do seu mordomo-mor.

E sobre o significado do nome mordomo-mor, há algo que vale a pena conhecer. Essa palavra, vem do grego "dunastes" (strong 1413) significando ministro real, alto funcionário da corte. Essa Palavra também é usada para descrever o reino de Cristo como uma eterna mordomia. Assim, como cristãos, somos servos e tão dedicados a nosso Senhor como o mordomo-mor deveria ser a sua Rainha.

Que Deus o abençoe.

Consultei:
Bíblia de Estudo Plenitude, Revista e corrigida, 1995, SBB
Mulheres Negras na Antiguidade de Ivan Van Sertima, 1990

Texto da Escritora Wilma Rejane 'A Tenda na Rocha'

*Estrabão ou Estrabo
- foi um historiador, geógrafo e filósofo grego. Foi o autor da monumental Geografia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época. Wikipédia

Aqui eu Aprendi!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Jesus - Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” Hb 7.26

O capítulo sete de Hebreus apresenta o sacerdócio de Jesus numa nova perspectiva — Ele é sumo sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque (Sl 110.4 cf. Hb 7.17). O autor mostra que a profecia do salmista, na qual revela um sacerdócio de outra ordem, superior à de Arão e à levítica, teve seu fiel cumprimento em Jesus (Hb 7.13). Mas mesmo pertencendo à mesma ordem sacerdotal, o autor sublinha a proeminência de Jesus sobre Melquisedeque quando afirma que este “foi feito semelhante ao Filho de Deus” (Hb 7.3) e não o contrário. O pensamento do autor é mais bem compreendido se observarmos o sacerdócio de Jesus quanto aos aspectos de sua tipologia, de sua natureza e de seus atributos. Há muitas especulações sobre a pessoa de Melquisedeque, mas à luz do contexto bíblico é melhor vê-lo como uma pessoa histórica de natureza tipológica. Melquisedeque, portanto, deve ser visto como um tipo que aponta para Jesus Cristo. Nesse aspecto, o escrito sagrado mostra o sacerdócio de Jesus como de natureza eterna, imutável e perfeita.

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 7.1-19

2. I. Quanto ao Aspecto de sua Tipologia
• 1. Um sacerdócio com realeza.
• 2. Um sacerdócio firmado na justiça.
• 3. Um sacerdócio com legitimidade.

3. II. Quanto ao Aspecto de sua Natureza
• 1. Um sacerdócio perfeito.
• 2. Um sacerdócio imutável.
• 3. Um sacerdócio eterno.

4. III. Quanto ao Aspecto de seus Atributos
• 1. Um sacerdócio santo.
• 2. Um sacerdócio inculpável.
• 3. Um sacerdócio imaculado.

5. Conclusão

Destaque alguns pontos do capítulo sete de Hebreus, o texto bíblico base da lição desta semana:

1. Na seção 7.1-10 é feita uma exposição sobre Melquisedeque, em que o autor de Hebreus usa o relato de Gênesis 14.18-20 para priorizar a peculiaridade desse sacerdote das terras de Salém.

2. No relato de Gênesis 14, cruzando com o de Hebreus sete, podemos constatar:
(a) Antes da Lei de Deus ser promulgada no Sinai, já havia um sacerdote que servia ao Deus Altíssimo e recebera dízimos de Abraão, o patriarca, antes da Lei; 
(b) a ausência de uma genealogia de Melquisedeque aponta para uma ausência de um sucessor ou predecessor humano.

3. Nas seções dos vv.11-25 e vv.26-28, o autor de Hebreus mostra que o sacerdócio de Cristo Jesus está na mesma ordem do de Melquisedeque, portanto, trata-se de um sacerdócio legítimo e superior ao de Arão.

Como Sumo Sacerdote de outra ordem, a de Melquisedeque, Jesus possui um sacerdócio imutável, perfeito e eterno.

Leitura Bíblica - Hebreus 7.1-19

Sacerdócio Perpétuo
“O escritor se vale de um argumento tipicamente rabínico baseado no fato de que nem o nascimento nem a morte de Melquisedeque constam dos registros bíblicos. Assim, de acordo com a Escritura, ele é uma figura perpétua, um símbolo apropriado de Jesus a quem, devido a sua vida eterna, permanece como um sacerdote perpetuamente”. Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, de Lawrence O. Richards, CPAD, p.861.

O sacerdócio de Cristo é imutável, perfeito e eterno.

Comentário de Hebreus 7.1-28

Tendo terminado a sua seção parentética no capítulo 6, que havia introduzido no final do capítulo 5, o autor volta a tratar do assunto que ele acha central em sua argumentação — a doutrina do sacerdócio de Cristo. Para tal, ele principia resgatando sua fundamentação histórica e profética.

“Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou” (v.1). O autor já afirmara (Hb 5.4-6) que Jesus havia sido constituído por Deus como Sumo Sacerdote de uma ordem superior a de Melquisedeque. Aqui, ele vai mostrar a importância que teve essa figura enigmática dentro do plano divino. Ele chama a atenção para o fato de que Melquisedeque fora rei e sacerdote. Melquisedeque, portanto, é o único personagem na história do Velho Testamento que fora rei e sacerdote ao mesmo tempo. Donald Hegner observa que, no judaísmo primitivo, prevalecia a crença de que o Messias acumularia essas duas funções.1  A intenção do autor é mostrar, não pelo simples fato de que essa era uma expectativa judaica, mas, sobretudo, porque era um fato profético, que Jesus era Sumo Sacerdote dessa mesma ordem. Foi esse sacerdote-rei que abençoou o patriarca Abraão.

“A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz” (v.2). De acordo com a Enciclopédia Judaica, o nome Melquisedeque é interpretado pelo autor de Hebreus como sendo “rei de justiça" e “paz" com o propósito de associá-lo à pessoa de Jesus.

“Na epístola aos Hebreus (7.1-7), Melquisedeque (rei de justiça - Zedek; de paz - Salém) é descrito como único, sendo ambos um sacerdote e rei, e porque ele é ‘sem pai, sem mãe, sem genealogia’; ele é eterno, ‘não tendo começo de dias e nem fim da vida’. Nesse sentido, Melquisedeque assemelha-se a Jesus, o Filho de Deus, e, assim, é um tipo do Salvador".2

“Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” (v.3). Esse versículo forneceu combustível para muitos debates em tomo da figura enigmática de Melquisedeque.3  Todavia, a interpretação mais natural, como descreveu a Enciclopédia Judaica, é aquela que a tradição cristã tem-lhe atribuído — um tipo de Cristo.4

O vocábulo grego aphomoioo, traduzido como semelhante, só aparece aqui no Novo Testamento. A. T. Robertson destaca “que essa semelhança está na figura tirada do Gênesis, e não na própria pessoa".5  Melquisedeque é um tipo do qual Jesus é o antítipo. A ordem sacerdotal, e não simplesmente a pessoa de Melquisedeque, está no foco da argumentação do autor. De forma análoga, Richard Taylor observa que as descrições dadas sobre a pessoa de Melquisedeque no versículo 3 (sem pai, sem mãe e sem genealogia) devem referir-se à sua ordem sacerdotal, e não à sua pessoa.6  Esse entendimento é confirmado no fato de que, para um judeu conhecedor do sistema levítico, era totalmente inconcebível alguém reivindicar o sacerdócio sem que seus pais fossem sacerdotes. John Nelson Darby (1800-1882) destaca que "como sacerdote, Cristo era sem genealogia, não como homem. Sua mãe era conhecida. Uma vez feito sacerdote, não podia ser descartado ao chegar a uma certa idade, como aqueles sacerdotes. Ele permanece para sempre. ‘Feito semelhante ao filho de Deus’ — somente como sacerdote. A realeza está vinculada com o sacerdócio".7

Melquisedeque foi uma pessoa física, histórica, mas o seu sistema sacerdotal era atemporal, eterno.8
Muito barulho tem sido feito em torno da figura enigmática de Melquisedeque porque é desconhecida a forma como a hermenêutica judaica interpretava o silêncio de determinado texto. Na interpretação rabínica dos textos sagrados, até mesmo o silencio falava alto. Filo, um judeu de Alexandria, por exemplo, utilizou-se muito desse recurso.9  Donald Hegner destaca:

"Do ponto de vista rabínico, o silencio é tido como verdadeiramente significativo, em vez de apenas fortuito, de modo especial em se tratando de uma pessoa tão importante, rei e sacerdote ao mesmo tempo. Visto não ter registro da morte de Melquisedeque, nem do término do seu sacerdócio, pode se concluir que ele permanece sacerdote para sempre. Considerando-se, pois, o que as Escrituras dizem e o que silenciam a respeito de Melquisedeque, torna-se evidente que ele é semelhante ao filho de Deus, que também jamais teve início de dias, nem fim de vida, com um sacerdócio de validade eterna”.10

"Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos" (v. 4). Há um jargão popular que diz: “Na terra de Melquisedeque, Abraão só paga o dízimo”. Nesse versículo 4, o autor mostra a superioridade de Melquisedeque em relação a Abraão. Todos os judeus, incluindo os cristãos provenientes do judaísmo, tinham consciência da grandeza do patriarca Abraão para a história hebraica. Todavia, o autor de Hebreus está mostrando a seus leitores que Abraão foi grande sim, mas que Melquisedeque fora ainda maior do que ele, visto Abraão ter reconhecido como legítimo o sacerdócio de Melquisedeque através da devolução dos dízimos. É exatamente dessa ordem sacerdotal muito superior à Levítica que advém o sacerdócio do Filho de Deus.

“E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham descendido de Abraão" (v.5). O autor tem em mente mostrar a seus leitores que, no contexto do Antigo Testamento, há duas linhas sacerdotais. Uma delas começa com Abraão, passando por Levi e seus descendentes, e a outra tem início com Melquisedeque, o sacerdote-rei. Essa ordem sacerdotal, que começou com Melquisedeque, vai até o Messias, Jesus Cristo (SI 110.4). Dessa forma, o autor prova que, embora o sacerdócio levítico tenha recebido dízimos, assim como Melquisedeque recebeu do patriarca Abraão, nem mesmo assim eles podem equiparar-se em grandeza ao rei-sacerdote de Salém.11

"Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles tomou dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas” (v.6). Esse sacerdócio de Melquisedeque, que nem mesmo registro possuía entre eles, tinha mais realeza do que o sistema levítico. A ordem sacerdotal Levítica era humana, terrena; já a ordem de Melquisedeque era divina, celestial.

“Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior" (v.7). O fato relevante mostrando que Abraão devolveu o dízimo a Melquisedeque e que ele fora abençoado pelo mesmo demonstra a superioridade de Melquisedeque sobre o patriarca hebreu. O rei deve abençoar o súdito; o soldado presta continência para o oficial; o filho subordina-se ao pai. Da mesma forma, foi Abraão em relação a Melquisedeque.

“E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive" (v.8). Simon Kistemaker observa, como já foi destacado neste livro, que o autor de Hebreus segue uma lógica diferente da nossa porque emprega uma metodologia rabínica adotada no primeiro século. Dentro dessa metodologia interpretativa, o autor declara que o testemunho sobre Melquisedeque é que ele "vive”. Estaria ele querendo dizer com isso que Melquisedeque jamais morreu? Se a lógica fosse essa, ele seria um ser sobrenatural, o próprio Filho de Deus, fato esse que o autor já descartou quando disse que o sacerdote de Salém era “semelhante” ao Filho de Deus, e não o próprio Jesus (Hb 7.3). Kistemaker destaca que "nos lugares onde seu nome é mencionado (Gn 14.18-20; SI 110.4), Melquisedeque (quanto a seu sacerdócio) é descrito como uma pessoa que ‘vive’. Isso significa que a ordem sacerdotal de Melquisedeque é permanente’’.12  Entendimento semelhante é dado pelo expositor Donald Hegner:

"O argumento do v.8 tem caráter rabínico, pois atribui grande significado ao silêncio do texto (cf. v.3). A referência àquele de quem se testifica que vive, no entanto, encontra paralelismo nas referências a Cristo nos vv. 15, 16 e 24, em que a referência à vida eterna sem fim é absolutamente verdadeira".13

Dentro da tradição cristã, portanto, esse versículo ganha o sentido de que, aqui, a ordem levítica, constituída por homens mortais, toma dízimos; ali, isto é, na ordem sacerdotal de Melquisedeque, personificada em Jesus Cristo, o Sacerdote Eterno, recolhia dízimos porque é superior à ordem levítica e continuará sempre existindo. Melquisedeque não era eterno, mas a sua ordem sacerdotal sim. A ordem sacerdotal levítica, encarregada de tomar os dízimos, era temporal, passageira, pois era constituída de homens mortais. Essa ordem sacerdotal tornou-se obsoleta e caducou. A ordem de Melquisedeque, porém, jamais acabará porque é eterna. É dessa mesma ordem que Cristo, o Sacerdote-Rei, exerce o seu sacerdócio para todo o sempre!14

“E, para assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos" (v.9). A ordem sacerdotal de Melquisedeque é superior à levítica, visto que todo o sistema levítico, representado na pessoa de Abraão, pagou dízimos a Melquisedeque. Esse fato é usado para mostrar a superioridade e relevância da ordem do sacerdote-rei de Salém. Mesmo que ainda não tenha sido gerado, Levi, tribo da qual seriam escolhidos os sacerdotes, pagou dízimos na pessoa de Abraão.

"Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro” (v.10). O fato está estabelecido — há mais de uma ordem sacerdotal: Melquisedeque e Levi. Todavia, a ordem sacerdotal de Melquisedeque é superior à levítica. O sistema levítico de sacerdotes era imperfeito, mas o melquisedequiano, perfeito.

“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?” (v.11). Se o sistema levítico fosse perfeito e, logo, não sujeito à substituição, então por que a profecia prenunciou o surgimento de outra ordem sacerdotal superior e mais perfeita (SI 110.4)?

“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (v.12). O autor fala da necessidade da mudança do “sacerdócio” enquanto sistema legal e vigente, e não apenas do “sacerdote” enquanto pessoa. Neil R. Lightfoot observa que o autor refere-se a toda ordem mosaica concebida como sacrificial em sua essência. A Lei e o sacerdócio eram entidades inseparáveis dentro do sistema mosaico, sendo que a própria Lei fora dada com base no sacerdócio. Nesse aspecto, observa Lightfoot, “a lei dependia do sistema sacrificial e não podia funcionar sem ele. O sacerdócio era para a Lei o que o alicerce era para o edifício”.15  Noutras palavras, caindo um, o outro vai junto.

“Porque aquele de quem essas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar” (v.13). Tendo provado que todo o sistema mosaico, com o sacrifício e a Lei, tornara-se obsoleto, o autor chama a atenção para quem o Espírito profético do Salmo 110.4 está mostrando — “de quem essas coisas se dizem" — uma referência ao Messias.

“Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (v.14). De acordo com o Pentateuco, a quem o autor denomina aqui de “Moisés", somente da tribo de Levi é que sacerdotes poderiam ser levantados. Jesus Cristo, entretanto, era da tribo de Judá, que, de acordo com o antigo sistema sacerdotal, jamais poderia possuir sacerdotes. Mas o autor já havia mostrado que justamente aqui se encontra a profecia — Jesus era sacerdote de uma ordem superior e que substituíra a antiga — a ordem de Melquisedeque. Como poderia, pois, os seus leitores estarem voltando para um sistema que havia sido substituído por outro muito melhor?

“E muito mais manifesto é ainda se, à semelhança de Melquisedeque, se levantar outro sacerdote" (v.15). O autor chegou onde queria: mostrar a necessidade de outro sacerdócio plenamente cumprido em Jesus. O sacerdócio de Cristo possui semelhança com o de Melquisedeque, ou seja, é superior ao levítico e é eterno. A palavra semelhança usada aqui aparece anteriormente na carta aos Hebreus no capítulo 4.15, onde está dito que Jesus foi feito semelhante a nós. Naquele contexto, significa que Jesus identificou-se com a raça humana e, por isso, pode representá-la diante de Deus.

“Que não foi feito segundo a lei do mandamento camal, mas segundo a virtude da vida incorruptível" (v.16) A palavra grega sarkinos, traduzida aqui como camal, tem o sentido, nesse contexto, de algo que está relacionado com aquilo que é humano. “A ordenação foi camal no sentido de que tinha a ver apenas com a carne. Fazia com que o sacerdócio estivesse implicado com/e dependente da descendência carnal”.16  Ao contrário do sistema sacerdotal levítico, o sacerdócio de Jesus estava fundamentado no princípio de uma vida "incorruptível”, isto é, indestrutível. Essa indestrutibilidade está fundamentada nas palavras do salmista.

“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (v.17). Para o autor, somente Jesus pode cumprir essa profecia porque, como Messias e Filho de Deus, Ele assentou-se à direita do Pai. "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (SI 110.1).

“Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade" (v.18). A antiga ordem sacerdotal e também as leis que o regiam foram substituídas por uma nova que havia chegado. A razão é que esse sistema tornara-se inadequado em razão de sua fraqueza e inutilidade. A ideia do autor é mostrar que o antigo sistema só tinha valor antes da manifestação de Cristo, para quem a antiga ordem apontava.

“(pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus" (v.19). A palavra grega eteleiosin, aoristo de teleioô, tem o sentido de conduzir ao alvo. James Moffatt (1870-1944) observou que, em Josefo, esse termo ganha o sentido de substituição.17  A Lei tornou-se antiquada, e sua substituição tornou-se necessária porque jamais pôde chegar ao alvo tencionado por Deus. Em Cristo, esse alvo havia sido alcançado, e essa é a razão de nossa esperança.

“E, visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes" (v.20). A superioridade do sacerdócio de Cristo está também evidenciada pela palavra empenhada por Deus (juramento) de que Ele é para sempre. O sistema levítico não teve tal garantia.

"Mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.)" (v.21). O comentarista C. S. Keener observa que esse juramento de Deus estabelecendo uma nova ordem sacerdotal desfaz por inteiro qualquer pretensão de perpetuação do antigo sistema sacerdotal. Deus empenhara a sua palavra de que o mesmo seria substituído. "Este ponto constitui uma resposta parcial para qualquer possível apelação ou reivindicação ao Antigo Testamento de que as prescrições levíticas eram ordenanças eternas”.18

"De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador" (v.22). O termo grego engyos, traduzido como fiador, só aparece aqui no Novo Testamento. O lexicógrafo Celas Spicq mostra que esse termo tem o sentido de uma "promessa colocada na mão de alguém”. A ideia é a de segurança. Spicq destaca:

"Uma pessoa é fiadora de outra, comprometendo-se com um credor dando-lhe uma garantia para a execução de uma obrigação no caso de inadimplência do devedor. Um fiador é, portanto, aquele que é responsável pela dívida de outra pessoa; sua responsabilidade torna-se operacional quando o devedor declara-se insolvente com relação aos termos do contrato”.19

A garantia do cristão é total, pois Jesus já pagou o preço.

“E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer” (v.23). O sacerdócio levítico possuía a necessidade de ser renovado constantemente, visto que seus oficiantes eram impedidos de continuar em razão da morte. Todavia, o sacerdócio de Cristo não estava sujeito a essa limitação.

"Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo" (v.24). O infinitivo presente menein, traduzido como permanecer, continuar, tem ação contínua e interminável.20  O seu sacerdócio é para sempre ou perpétuo, assim como vaticinou o oráculo divino no Salmo 110.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (v.25). A expressão grega eis to pantelés, traduzida aqui como “perfeitamente” em virtude do contexto, mantém o sentido temporal que lhe dá a versão americana RSV e significa "em todas as épocas”. Ao contrário do sacerdócio levítico, o ministério de Cristo não é prejudicado pelo tempo. Em qualquer época, Ele continua sendo sacerdote. Ele salva aqueles, conforme observou Adam Clarke, que, mediante a graça de Deus, através de seu sacrifício e propiciação, achegam-se a Ele implorando misericórdia.21

Cristo é o intercessor de todos os salvos.

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus" (v.26). Cinco coisas são afirmadas aqui sobre Jesus:
(1). Ele é santo. Aqui, no texto grego, temos a palavra hosios em vez de hagios (separado). O termo grego hosios ocorre oito vezes no N.T e tem o sentido de “santo, piedoso, misericordioso". Aqui, a ideia é a mesma encontrada na palavra hebraica chasid, "misericordioso”;

(2). Ele é inocente. Aqui, a ideia é de alguém que não tem maldade. A sua santidade não é apenas externa, mas também interna. Ele é santo por dentro e por fora;22

(3). Ele é imaculado. A ideia aqui é extraída dos princípios exigidos na consagração dos sacerdotes. O sacerdote na antiga aliança não poderia ter defeito corporal algum. O autor mostra que Jesus possui um caráter imaculado. O seu sentido vai muito além da pureza ritual, mostrando a natureza ética do sacerdócio de Jesus;

(4). separado dos pecadores. Ao fazer essa declaração, o autor usa o tempo perfeito, que mantém a ideia de algo que começou no passado, mas cujos efeitos continuam no presente. Nesse aspecto, Jesus foi separado dos pecadores, isto é, pertence a uma classe distinta deles e continua dessa forma. Ele não pode ser alcançado pelo pecado. Não há pecado nEle;

(5). mais sublime do que os céus. Ele está acima de tudo, até mesmo das mais altas hostes angelicais.

“Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo" (v.27). A Almeida Revista e Corrigida (ARC) enfraqueceu o sentido da palavra grega ephapaks ao traduzi-la simplesmente como "uma vez”. O seu sentido está melhor demonstrado na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) como “uma vez por todas". O sacrifício de Cristo foi perfeito e completo. Não há, pois, necessidade, em tempo algum, de sua repetição.

“Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre" (v.28). A “perfeição” aludida pelo autor tem um sentido de "obra cumprida integralmente”, isto é, “completada”. Esse fim jamais poderia ser alcançado pelo sacerdócio levítico, devido a seu caráter transitório e imperfeito.

O ministério sacerdotal de Jesus Cristo é santo, inculpável e imaculado.


A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo Testamento que apresenta uma doutrina sistematizada do sacerdócio de Cristo. A carta mostra aos leitores que Jesus é o Sumo Sacerdote-Rei predito nas Escrituras e que, como tal, superior ao sistema levítico. Melquisedeque, rei de Salém, a quem Abraão entregou o dízimo, tornou-se um tipo desse sacerdócio eterno. E não só isso, mas todo o sistema levítico tornara-se obsoleto visto que a nova ordem sacerdotal havia suplantado a antiga.

A natureza do sacerdócio de Cristo é expressa pela sua imutabilidade, perfeição e eternidade.

Notas
1 HEGNER, Donald. Hebreus — comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida, São Paulo.
2 SCOLNICK, Fred & BERENBAU, Michael. Enciclopedia Judaica, second edtion, volume 14. P p.ll. Macmillan Reference. Nova York, EUA, 2007.
3 O profícuo escritor e teólogo Pedro Cardoso Lindoso, em seu livro Melquisedeque, o Sacerdote Cristofânico, desenvolveu uma tese muito interessante, porém diametralmente oposta daquela defendida aqui, sobre o sacerdócio de Melquisedeque. Nisso está a beleza da vida cristã: em pensarmos diferentes sem, contudo, tornarmo-nos adversários.
4 "E que reside a semelhança? Naquilo que não conhecemos nem o princípio nem o fim de nenhum dos dois; de Melquisedeque, porque não foi registrado, e de Cristo, porque não tem [nem princípio nem fim]. Essa é a semelhança! Se a semelhança fosse estabelecida em absolutamente tudo, não haveria figura nem realidade, senão que ambas seriam figuras" (CRISÓSTOMO, João. Sobre La Carta a Los Hebreos, 12, l-2); "Portanto temos aprendido que aquele famoso Melquisedeque é sacerdote de Deus na figura de Cristo; pelo que aquele era a figura, este é a realidade (a figura é a sombra da realidade); aquele era em nome de uma só cidade, este é rei na reconciliação de todo o mundo, como está escrito: "Porque em Cristo, Deus estava reconciliando consigo o mundo” (AMBRÓSIO. Sobre La Fé, 3,11, 88-89); "Também comentou a expressão ‘sem genealogia’. Afirmou que Melquisedeque não pertencia à sua árvore genealógica, pelo qual é evidente que não estava privado de uma árvore genealógica, senão que se trata de uma figura” (DE CIRO, Teodoreto. Interpretacion Sobre La Carta a Los Hebreos, 7); "Enquanto a Escritura que diz: ‘Tu és sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque’, nosso mistério está revelado na palavra ‘ordem’” (JERÔNIMO, Libro de Cuestiones Hebreas Sobre el Gênesis, 14,18-19).
5 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
6 TAYLOR, Richard. Comentário Bíblico Beacon. CPAD. Ao longo da história, não tem faltado interpretações fantasiosas sobre a pessoa de Melquisedeque. De acordo com a Enciclopedia Judaica, Melquisedeque é identificado nos textos de Qumran como sendo um "anjo de luz” e também “o arcanjo Miguel”. Na tradição rabínica, é identificado como sendo Sem, filho de Noé. Por outro lado, o livro apócrifo de Enoque faz Melquisedeque tornar-se filho de Nir, irmão de Noé (Enciclopaedia Judaica, second edition, volume 14. Macmillan Reference. Nova York, EUA, 2007).
7 DARBY, John N. La Espistola a los Hebreus. Verdades Bíblicas. Addison, IL, EUA.
8 Donald Carson observa que há quem pense que Jesus de Nazaré, o Filho eterno, apareceu em forma corpórea em Gênesis 14.18-20 — uma encarnação antes da Encarnação. Carson acertadamente argumenta que dois textos bíblicos depõem contra essa interpretação. O primeiro é o Salmo 110, usado pelo autor de Hebreus. O Salmo 110 diz: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. Carson pergunta: "Por que não diz simplesmente que o "Senhor” é Melquisedeque? Por que não diz: "Tu és sacerdote para sempre. Tu és Melquisedeque”? Isso resolveria o problema. Mas ele é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Melquisedeque é um modelo”. O segundo texto é Hebreus 7.2b-3. Nesse texto, o autor de Hebreus repete o Salmo 110, mostrando a relação profética de Melquisedeque com Jesus, onde aquele é "feito semelhante ao filho de Deus” (Hb 7.3). “Se Melquisedeque fosse o Filho de Deus”, argumenta Carson, "a razão pela qual 'permanece sacerdote para sempre’ é que ele é o filho eterno de Deus. Mas o autor de Hebreus diz outra coisa. Ele afirma que Melquisedeque se parece com o Filho de Deus, é semelhante ao filho de Deus” (CARSON, Donald. Aí Escrituras Dão Testemunho de Mim - Jesus e o evangelho no Antigo Testamento, pp. 190-193. Editora Vida Nova, São Paulo). Outro fato relevante, não abordado por Carson, que mostra que Melquisedeque não é Jesus pré-encarnado, está no texto de João 8.56: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se”. Se Melquisedeque fosse, de fato, uma manifestação cristofânica, o texto seria: “Abraão, vosso pai, exultou por ver-me quando eu era ainda Melquisedeque; viu-me e alegrou-se”. Mas não é isso o que o texto diz nem dá a entender.
9 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
10 HEGNER, Donald. Hebreus — Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida, São Paulo.
11 LAUBACH, Fritz. Hebreus — Comentário Esperança. Editora Esperança.
12 KITESMARKER, Simon. Hebreos — Comentário Al Nuevo Testamento. Libros Desafio, 1991.
13 HEGNER, Donald. Hebreos — comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
14 O autor de Hebreus não tem a intenção de tratar aqui do dízimo como uma prática válida ou não para os seus dias. A sua intenção é mostrar que a ordem sacerdotal levítica passara e que agora outra tomou o seu lugar — a ordem de Melquisedeque, representada aqui por Jesus Cristo, o Sacerdote-Rei. Todavia, em relação à pratica do dízimo na Nova Aliança, em contraste com a Antiga Aliança, escrevi em meu livro A Prosperidade à Luz da Bíblia: "Mudou apenas a forma do culto, mas não a sua função! O culto levítico com seus milhares de rituais já não existe, todavia, o princípio do sacerdócio continua ainda hoje (1 Pe 2.9; Ap 1.6). Passou o sacerdócio de Arão, ficou o sacerdócio do cristão (Hb 4.14-16; 10.11,12; 1 Pe 2.5,9; Ap 1.6). A justificativa que alega que o cristão não está mais debaixo do preceito legal do dízimo mosaico é falha por não levar em conta que o cristão permanece ligado ao princípio moral do dízimo abraâmico! Abraão, o pai dos que crêem, devolveu o seu dízimo de forma espontânea e voluntária antes do preceito legal (Gn 14.20), o que deve servir de modelo para todos os crentes. A Bíblia mostra claramente que a ordem sacerdotal a quem Abraão pagou seu dízimo é eterna, ao contrário da ordem do sacerdócio levítico, que era transitórial (Hb 5.10; 7.1-10; Sl 110.4). Portanto, aqueles que não reconhecem mais o preceito da obrigatoriedade concernente ao dízimo, como ensinou Moisés, deveriam submeter-se ao princípio da voluntariedade, como exemplificou Abraão (GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da Bíblia. CPAD).
15 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreos — Comentário Vida Cristã. Editora Cultura Cristã.
16 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Vida Nova.
17 MOFFATT, James. A Criticai and Exegetical Commetary on the Epistle to the Hebrews. T & T Clark, 1963.
18 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de La Biblia. Editora Mundo Hispano, Texas, EUA.
19 SPICQ, Ceslas. Theological Lexicon of the New Testament, vol 1, pp 390- 391. Hendrickson Publishers. Peabody, Massachusetts, EUA, 2012.
20 ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego.
21 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia. Nuevo Testamento, vol. III. Casa Nazarena de Publicaciones, Lenexa, Texas, EUA.
22 Idem.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Horário de Verão - Término - 2017/2018

Horário de Verão termina neste Domingo 18/02/2018

O horário de verão, em vigor desde outubro do ano passado, acaba na primeira hora deste domingo (18). À meia-noite entre sábado e domingo, os moradores de 10 estados e do Distrito Federal devem atrasar o relógio em uma hora.

O ajuste vale para as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal).

Com isso, o horário no leste do Amazonas e nos estados de Roraima e Rondônia fica 1 hora "atrasado" em relação a Brasília, enquanto oeste do Amazonas e Acre ficam 2 horas atrás.



Economia de energia

O horário de verão foi instituído com o objetivo de economizar energia no país em função do maior aproveitamento do período de luz solar.

A medida foi usada pela primeira vez em 1931 e depois em outros anos, sem regularidade.

Em 2008, ganhou caráter permanente e passou a vigorar do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte.

O governo federal chegou a avaliar o fim do horário de verão neste ano, depois que um estudo do Ministério de Minas e Energia indicou que o programa vem perdendo efetividade. A análise mostrou que a intensidade de consumo de energia elétrica estava mais ligada à temperatura do que ao horário, com picos nas horas mais quentes do dia.

Porém, o Brasil enfrenta um período de estiagem, com hidrelétricas com níveis de água reduzidos, o que vem obrigando o governo a ligar as termelétricas (de operação mais cara) e até mesmo a importar energia de outros países.

Começa mais tarde

O presidente Michel Temer acabou editando um decreto que reduz a duração do horário de verão, e não o elimina. Assim, neste ano, ele começará em 4 de novembro, um fim de semana após o segundo turno das eleições, marcado para 28 de outubro.

A mudança foi um pedido do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, para evitar atrasos na apuração dos votos e na divulgação dos resultados do pleito. Um dos exemplos citados pelo tribunal foi o Acre, onde as urnas são fechadas três horas depois de a contagem de votos já ter sido iniciada nas regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Fonte: G1
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O perigo da falsa religiosidade

“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?” Mt 15.3


Professor(a), a hipocrisia é um tema que precisa de uma atenção especial, pois infelizmente, existem pessoas em nosso meio com atitudes semelhantes as dos escribas e fariseus. Elas querem impor, por falta de conhecimento bíblico e doutrinário um jugo pesado e impraticável que acaba afastando as pessoas do Evangelho. Muitos, como os fariseus e publicanos até têm um discurso eloquente, mas não se comportam de maneira adequada na igreja ou na sociedade em geral. Muitos estão envergonhando o Evangelho e a Igreja, por isso, um debate bem conduzido a respeito do assunto poderá contribuir para chamar a atenção dos jovens para a necessidade de vivermos uma vida íntegra e coerente diante das pessoas e de Deus. Pois sem santidade ninguém verá o Senhor.

Os fariseus e escribas se preocupavam tanto em observar as tradições dos anciãos (recomendações de homens) que acabavam por desprezar a Lei de Deus.

Texto Bíblico: Mateus 15.1-17

INTRODUÇÃO

Quando o assunto é falsa religiosidade, não podemos deixar de falar dos escribas e fariseus, pois com suas práticas religiosas, eles cometiam muitas injustiças e lançavam fardos pesados sobre os outros. Estes, erroneamente, trocaram a religião pura, a comunhão com Deus, pela mercantilização da fé. No capítulo 15 de Mateus, vemos os escribas e fariseus acusando os discípulos de Jesus de transgredirem as tradições dos anciãos (v.2). Devido ao comportamento hipócrita deles, Jesus os chama de “condutores cegos”, que guiam outros “cegos” a reproduzirem suas condutas hipócritas (Mt 15.14).

Quanto mais Jesus se aproximava de Jerusalém, maior era a severidade dos confrontos com as facções religiosas judaicas que não suportavam ouvir os ensinos de Jesus.

I. A INJUSTIÇA DA FALSA RELIGIOSIDADE (Mt 15.1-9)

1. As acusações injustas dos escribas e fariseus (vv.1,2).
Jesus e seus discípulos estavam na terra de Genesaré pregando as Boas-Novas, curando os enfermos que eram trazidos de todas as localidades (Mt 14.34-36). Enquanto isso, alguns escribas e fariseus vindos de Jerusalém para observá-lo e achar algo errado para acusá-lo, perceberam que os discípulos de Jesus comiam sem lavar as mãos. No entanto, o que os incomodava não era a falta de higiene, mas sim a questão cerimonial, a tradição. A Torá previa alguns procedimentos quanto à pureza ritual (Lv 11-15; Nm 5.1-4). Todavia, a questão levantada pelos escribas e fariseus não constava nela, mas sim na tradição dos anciãos. Portanto, eles acusaram Jesus e seus discípulos injustamente. A tradição deles na verdade era acréscimo feito pelos homens e não por Deus.

2. Os acusadores eram na verdade os transgressores (vv.3-9).
Os escribas e fariseus acusavam as pessoas de transgredir as tradições dos anciãos como se eles fossem os seres mais honestos e puros do universo. No entanto, Jesus os repeliu e mostrou que eles estavam equivocados e o quanto eram hipócritas. Então, o Mestre questiona o fato de eles transgredirem os mandamentos de Deus (v.3).

Jesus repreende os fariseus e escribas afirmando: “E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus” (v.6). Jesus cita a lei mosaica em que os filhos deveriam honrar o pai e a mãe (o quinto mandamento), cuja penalidade para tal transgressão era a morte. Mas, para não atenderem as necessidades materiais de seus pais alegavam que o bem que possuíam era Corbã, isto é, oferta ao Senhor (Mc 7.11). Segundo A. T. Robertson (Comentário Mateus & Marcos — CPAD) “os rabinos permitiam que o filho infiel fizesse a mera declaração dessa palavra para deixar de usar o dinheiro necessário para o sustento do pai ou mãe”. Na verdade os acusadores é que eram os verdadeiros transgressores da Lei de Deus.

3. O profeta Isaías já havia reprovado a falsa religiosidade (vv.7,8).
Jesus exorta seus acusadores e demonstra que eram eles que estavam burlando a lei de Moisés por ganância. O Mestre chama os fariseus e escribas de hipócritas e afirma a atitude errada deles citando Isaías 29.13. O profeta Isaías já havia, por diversas vezes, reprovado a falsa religiosidade do seu povo. Ele afirmou que seu povo adorava a Deus somente com palavras, mas o coração deles estava bem longe do Senhor.

II. A CEGUEIRA DA FALSA RELIGIOSIDADE

1. A cegueira espiritual dos escribas e fariseus (v.14).
Jesus não se intimidou diante dos fariseus e dos escribas. Ele os exortou de forma segura e eficaz, chamando-os de cegos e condutores de cegos. Os fariseus e escribas se apegavam tanto a questões secundárias e irrelevantes (tradições humanas) que se privavam das questões primárias, a observância da Lei divina. Na realidade, o que os incomodavam era a popularidade, o reconhecimento e o respeito que Jesus e seus discípulos vinham conquistando diante da população. Os testemunhos dos feitos de Jesus se espalhavam rapidamente e todos queriam ouvir e ver a Jesus. Os líderes religiosos, com suas tradições, discursos monótonos e repetitivos já não chamavam mais a atenção do povo.

2. A dificuldade de Pedro em compreender o ensino de Jesus.
Os discípulos, em alguns momentos específicos, também tiveram dificuldades para entender os ensinos de Jesus. Pedro, tomando a palavra, perguntou a Jesus: “Explica-nos essa parábola” (Mt 15.15). Interessante como o apóstolo Pedro não se preocupava em declarar publicamente que não havia compreendido. Ele estava certo, pois quem quer aprender tem que perguntar e não pode se importar com a reação das pessoas. Muitas pessoas deixam de aprender por receio de perguntar.

Jesus fica admirado com a atitude de Pedro e diz: “Até vós mesmos estais ainda sem entender?” (v.16). De acordo A. T. Robertson (Comentário Mateus & Marcos — CPAD) os discípulos “ainda estavam sob o ‘encanto’ da perspectiva teológica dos fariseus”. Por isso, a dificuldade de entendimento. Então, Jesus explica para eles que o que contamina o homem é tudo aquilo que procede do seu interior, coração (Mt 15.18,19). Diferente dos escribas e fariseus, que ouviam Jesus ensinar, mas não queriam aprender, pois seus interesses e hipocrisia impediam que seus “olhos fossem abertos” para entender a mensagem do Reino, os discípulos realmente desejavam compreender e aplicar às suas vidas o ensino do Mestre.

3. O que contamina o homem é o que procede do coração (Mt 15.17-19).
Jesus explica aos discípulos que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que procede do seu coração. É do interior do homem que provêm os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. As práticas, os ensinos errôneos e perversos dos escribas e fariseus ainda influenciam muitos religiosos na atualidade, pois infelizmente ainda há pessoas que valorizam mais as tradições humanas que a infalível e inerrante Palavra de Deus. Jesus deixa claro que a falsa religiosidade contamina o homem e não o comer sem lavar as mãos. O Mestre rebate duramente o ritualismo hipócrita dos fariseus e escribas e a falsa santidade e espiritualidade deles.


Google images - Jesus purifica templo
III. A MERCANTILIZAÇÃO DA FÉ E DA ADORAÇÃO PELA FALSA RELIGIOSIDADE (Mt 21.12-17)

1. Os falsos religiosos transformaram o Templo em covil de ladrões (v.13).
Ao entrar no Templo, Jesus fica indignado quando vê o comércio que se havia estabelecido no pátio dos gentios, área que ficava na parte externa do Templo e era aberta a judeus e gentios. Era neste local que se dava a venda de animais que seriam utilizados nos sacrifícios, porém os cambistas se utilizavam disso para explorar os fiéis. Quem se beneficiava com o monopólio das vendas eram os sacerdotes e levitas, já que o comércio de animais gerava muito dinheiro. Mas Jesus expulsa os cambistas do Templo e para isso utiliza os textos de Isaías 56.7 e Jeremias 7.11. O propósito dEle era restaurar a verdadeira finalidade do Templo: a oração e a adoração.

2. Os falsos religiosos querem calar o louvor genuíno (vv.15,16).
Jesus também aproveita a ocasião para curar cegos e coxos que foram ter com Ele no Templo. Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, “Davi proibiu que os cegos e coxos entrassem no Templo”. Mas, o Filho de Deus reverte este preceito legal, mostrando que a Casa de Deus é para acolher a todos.

Logo depois, Mateus relata que alguns meninos, talvez admirados com os milagres de Jesus, com a sua ousadia e justiça o adoraram clamando: “Hosana ao Filho de Davi” (v.15). Ao ouvir o louvor dos meninos, a raiva dos principais dos sacerdotes e escribas se acentua ainda mais, e eles então tentam envergonhar a Jesus. Eles questionam Jesus a respeito do procedimento das crianças. Mas, para a surpresa deles, o Mestre responde a eles utilizando o Salmo 8.2.

O texto de Mateus nos mostra duas situações antagônicas: de um lado os cambistas e líderes do Templo que lucravam com o uso indevido das tradições religiosas; do outro, as crianças oferecendo o perfeito louvor ao Filho de Deus pela libertação dos excluídos (cegos e coxos) e a restauração da ordem na Casa de Deus.


CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos a respeito da falsa religiosidade, fazendo uma análise das atitudes errôneas dos escribas e fariseus. Estes acusaram os discípulos de Jesus de não cumprir as tradições religiosas. Entretanto, o Mestre os exorta mostrando o quanto eles estavam errados ao darem mais importância às tradições humanas do que as Leis de Deus. Aprendemos também que Jesus purificou o Templo, expulsando os cambistas e reprovando a atitude gananciosa dos líderes religiosos que fizeram da Casa de Deus um covil de ladrões.



SUBSÍDIO I
“Mateus usa a palavra ‘então’ (tole) para unir a demanda dos fariseus e escribas (mestres da lei) da lavagem cerimonial (v.2) como relato de curas no final do capitulo 14, no qual as pessoas cerimonialmente imundas tocavam Jesus para serem curadas. O termo tole é uma das palavras de transição favoritas de Mateus. Das cento e sessenta vezes que aparece no Novo Testamento, mais de cinquenta ocorrem no Evangelho de Mateus. A ‘tradição dos anciãos’ era a composição de regulamentos designados a ampliar a lei mosaica e facilitar guardá-la. Conforme a tradição, os fariseus se lavavam depois de estar numa multidão, no caso de eles terem tocado uma pessoa cerimonialmente imunda; a questão para eles não era saúde ou higiene. Preocupando-se mais com a pureza cerimonial do que com a cura de doentes, eles consideravam Jesus e os discípulos violadores imundos da lei (cf. Mc 7.3,4, que explica esta tradição para uma audiência gentia).

Jesus não responde diretamente a acusação dos fariseus, antes, nivela as próprias acusações contra a deles. Ele faz nítida distinção entre os mandamentos de Deus e as tradições bastante modernas dos inimigos, que não observavam as questões mais importantes da lei. Ele questiona as pressuposições e procedimentos operacionais padrões e mostra como suas tradições sabotavam a Lei de Deus por fins egoístas” (ZRRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário Bíblico Pentecostal:Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.96).


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SUBSÍDIO II
“A purificação do Templo é descrita de forma vívida. Jesus expulsou todos os que vendiam e compravam no templo (Mt 21.12) — hieron, a ‘área do Templo’, compreendia cerca de vinte e cinco acres. No Pátio dos Gentios havia um mercado onde ovelhas e bois eram vendidos para os sacrifícios (cf. Jo 2.14). Como a Lei especificava que esses animais deveriam ser ‘sem mácula’ (Êx 12.5) era mais seguro comprá-los no mercado do Templo que era dirigido por parentes do sumo sacerdote. Tudo que fosse comprado ali seria aprovado. Da mesma forma, seria inconveniente para os peregrinos da Galileia trazer animais em uma viagem tão longa. Aqueles que eram demasiadamente pobres para oferecer uma ovelha tinham permissão de substituí-la por uma pomba (Lv 12.8). Todo o dia era realizada uma animada venda desses animais.

Os cambistas também colhiam seus frutos. Todo judeu adulto tinha que pagar uma taxa anual de meio siclo ao Templo (cf. Mt 17.24). Mas esse pagamento deveria ser feito com a moeda fenícia. Como o dinheiro que os judeus usavam habitualmente era grego ou romano, isso queria dizer que a maioria das pessoas precisava trocar o seu dinheiro. Os sacerdotes tinham permissão de cobrar algo em torno de 15 por cento para fazer essa troca. Edersheim acredita que somente essa taxa poderia alcançar uma soma entre 40.000 a 45.000 dólares por ano, isto era, uma renda exorbitante naquela época” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006. p.146).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves

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