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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em tempos de violência Cibernética

Um divertimento é para o tolo praticar a iniquidade; para o homem inteligente, o mesmo é o ser sábio” Pv 10.23

Dando prosseguimento ao nosso seriado de estudo, veremos nesta lição a extensão dos chamados crimes cibernéticos e os perigos que rondam a internet, e como os crentes são instados a mostrar o diferencial cristão pelo testemunho online. Lembre-se que a maioria de seus alunos, se não todos, passam boa parte do dia conectados ao mundo digital. Desse modo, o presente estudo toca diretamente no cotidiano deles. Para que o conteúdo seja melhor aproveitado, não deixe de interagir com a turma, pois sabemos que os jovens gostam de opinar sobre assuntos práticos para eles.

TEXTO BÍBLICO - Provérbios 10.11-14

11 — A boca do justo é manancial de vida, mas a violência cobre a boca dos ímpios.
12 — O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.
13 — Nos lábios do sábio se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento.
14 — Os sábios escondem a sabedoria, mas a boca do tolo é uma destruição.

INTRODUÇÃO

Não bastasse a violência urbana tratada na lição anterior, outra forma comum de violência em nossos dias é aquela praticada na rede de computadores. Tal se deve à multiplicação da iniquidade, que faz com que a maldade esteja presente até mesmo no ambiente virtual. A lição deste domingo, portanto, é um alerta para os perigos que rondam a vida online. Os novos tempos exigem dos crentes vigilância constante para não cair nas ciladas dos homens maus.


I. A VIOLÊNCIA DIGITAL NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

1. Vivendo na sociedade da informação.
Depois das fases agrícola e industrial, o mundo encontra-se hoje no tempo da sociedade da informação. As frequentes e cada vez mais velozes inovações tecnológicas caracterizam o atual estágio da civilização, proporcionando ao ser humano maior comunicação, interatividade, agilidade e acesso ao conhecimento. Em virtude da ampla utilização de computadores, smartphones e tablets conectados à rede mundial de computadores, todo tipo de conteúdo está hoje somente a um clique!

2. Violência real no mundo virtual.
Mas, tal qual ocorre na sociedade comum, a rede de computadores é prova da multiplicação da iniquidade prenunciada pelo Senhor Jesus (Mt 24.12). Com o crescimento das novas tecnologias e o fácil acesso à internet, o mundo digital é palco de inúmeros atos de violência cibernética, ou seja: crimes praticados no ambiente virtual, envolvendo desde furto de informações, violência psicológica, ameaças, golpes a ataques pessoais. Certamente, você deve conhecer alguém, amigo inclusive, que foi vítima de algumas dessas ações na rede mundial de computadores, ou talvez até você mesmo tenha passado por isso.

3. Riscos na rede de computadores.
Se por um lado, o ato de navegar pela internet nos oferece vários benefícios, por outro, a rede contém perigos e ameaças que não devemos ignorar. As Escrituras afirmam que “o prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando” (Pv 22.3 — ARA). Nessa porção bíblica, “simples” não significa a pessoa humilde, mas aquela inexperiente que age com imprudência. Mais que em qualquer outro local, a internet exige cautela. É preciso ter cuidado para não cairmos nas redes e nos laços lançados pelas pessoas más, assim como nas ciladas dos homens ímpios (Sl 10.9).

“O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando” (Pv 22.3 — ARA).

Ponto Importante
Se por um lado o ato de navegar pela internet nos oferece vários benefícios, por outro a rede contém perigos e ameaças que não devemos ignorar.


II. OS MALES DO BULLYING VIRTUAL

1. O que é bullying virtual?
Também chamado de cyberbullying, consiste na intimidação sistemática de outra pessoa, por meio de insultos, humilhação, depreciação e agressão verbal, de modo a provocar constrangimento perante os outros. Em virtude da facilidade do anonimato, a internet é um meio veloz de propagação de imagens e comentários depreciativos sobre a vida de alguém. É um problema grave, pois as palavras, não raro, ferem mais que a dor física (Pv 12.18). Assim como a língua, que serve para proferir palavras de bênção ou maldição (Tg 3.10), as publicações na rede de computadores podem devastar vidas como o fogo (Tg 3.6).

2. Brincadeira sem graça.
Na maioria dos casos essa prática inicia como uma brincadeira de péssimo gosto para divertimento dos envolvidos. Mas, vale aqui a advertência de Provérbios 26.18,19. Não há qualquer graça em tal brincadeira maligna e odiosa, afinal as consequências do bullying virtual são sérias; afeta os sentimentos e a imagem do ofendido perante a sociedade. Pesquisas indicam que esse tipo de agressão pode acarretar trauma psicológico, isolamento social, desenvolvimento de problemas relacionados à depressão, e até mesmo levar a vítima ao suicídio. Não é algo para rir, mas chorar!

3. A conduta do jovem cristão.
Em meio a uma cultura de “zoação” e escárnio (2Pe 3.3), em que muitos encaram com naturalidade as brincadeiras e piadas que expõem a vida dos outros no ambiente virtual, o jovem cristão é instado a mostrar o diferencial pelo testemunho online, com conduta exemplar na palavra, no comportamento, no amor, no espírito, na fé e na pureza (1Tm 4.12).
O ponto de partida é seguir a recomendação do salmista: “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.1,2). Aquele que medita na Palavra de Deus não perde tempo com brincadeiras inúteis e destrutivas, compartilhando conteúdo produzido pelos escarnecedores virtuais.
Além de não praticar o bullying, o crente em Cristo deve intervir quando alguém, cristão ou não, estiver sendo vítima de intimidação virtual. Quebrar as correntes da maledicência e aconselhar seus autores para que cessem o desrespeito, são práticas que exprimem o amor divino.

O bullying não é uma prática condizente com a vida cristã.

Pesquisas indicam que bullying pode acarretar trauma psicológico, isolamento social, desenvolvimento de problemas relacionados à depressão, e até mesmo levar a vítima ao suicídio.


III. A LEI E A PUNIÇÃO DOS CRIMES CIBERNÉTICOS

1. Crimes contra a honra.
Englobam as ações que ofendem a honra e a moral de uma pessoa: calúnia, difamação e injúria. A calúnia é a afirmação falsa de que alguém cometeu um determinado crime; difamação é associar uma pessoa a um fato que ofende sua reputação e injúria refere-se à ofensa que atinge a dignidade e o decoro do ofendido. A defesa da verdade e da honra das pessoas se fundamenta nas Escrituras (2Co 13.8; Ef 4.25), por isso o servo de Deus não deve disseminar informações inverídicas e caluniosas que trafegam no mundo digital.

2. Crimes de pedofilia.
A troca de informações, imagens e vídeos envolvendo a sexualidade de crianças e adolescentes caracteriza o crime de pedofilia. Infelizmente, há no mundo virtual redes malignas de indivíduos sem afeição natural que aliciam menores e espalham conteúdo pornográfico. Tais atos são abomináveis para Deus, uma vez que expõem os frágeis pequeninos amados do Senhor (Mt 18.10). É dever do cristão denunciar essa prática pecaminosa e desumana.

3. Crimes informáticos.
Referem-se aos delitos de invasão de dispositivos informatizados, roubo de dados e fraudes financeiras por meios tecnológicos. Tais atos delinquentes normalmente são praticados mediante a disseminação de vírus e outras pragas virtuais. Devemos ter em mente que todo usuário da rede de computador é um alvo em potencial para essa espécie de crime. Assim, utilizar mecanismos de segurança, acessar páginas seguras e não compartilhar informações pessoais na internet são ações básicas para evitar ser vítima de ataques virtuais.

“O que segue a justiça e a bondade achará a vida, a justiça e a honra” (Pv 21.21).


CONCLUSÃO

Concluímos a presente lição advertindo a respeito da importância de se ter cuidado ao navegar na internet. Embora seja uma ferramenta útil, a rede de computadores está cheia de pessoas mal intencionadas, cujo propósito é contribuir com as obras das trevas. Tome cuidado para que você não seja vítima, e muito menos autor, de qualquer crime cibernético. Embora o ambiente possa ser virtual, a fé que professamos deve sempre ser real!


SUBSÍDIO
“O uso do entretenimento para a educação também está se espalhando rapidamente nos países ocidentais. Infelizmente, o pornógrafo está criando outra vez uma desconfiança das novas fronteiras da mídia, como a Internet. Em vez de permitir que os usos corruptores potenciais da tecnologia de comunicação nos façam bater em retirada por causa dos gigantes da Canaã do ciberespaço, o povo de Deus deveria estar agressivamente procurando saber como Ele quer usar os CD-ROMs, a realidade virtual interativa e a World Wide Web (a Rede Mundial) para o cumprimento dos seus propósitos. Será que nós, cristãos, não devemos presumir que Deus nos permitiu usar os novos processos de imagens digitais para mais do que apenas visualizar as interações de ex-presidentes com Forrest Gump ou Elvis Presley com os Amantes da Pizza?” (PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2001, p.412).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento

Aqui eu Aprendi!

A Síndrome de Procusto

"Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós". Tiago 4:7,8

Antes do surgimento da escrita, da moeda, havia na Grécia a predominância da tradição oral. A mitologia era a forma cotidiana para se explicar os conflitos humanos, bem e mal permeavam o misterioso e familiar mundo do mito que pela  relação com a realidade dos ouvintes, era religiosamente respeitado.  Dessa forma, a Grécia influenciou e inovou a tradição pagã ao inserir imagens de heróis e bandidos semelhantes a homens, mas com poderes divinos.

Depois dos mitos, veio o aparecimento da Filosofia que buscava de forma racional encontrar através do cosmo, da natureza, a origem de todas as coisas. O mito falhou em sua forma de explicar o mundo, a Filosofia ascendeu como esperança de se desvendar o mistério sobrenatural exposto nas maravilhas do universo. Mito e Filosofia, de forma direta e indireta, buscavam a Deus. A inquietude da alma dos gregos lhes dizia haver bem mais entre céu e terra, para além das cortinas celestes.

Foi no mundo grego que surgiu a palavra milagre, ele se referia a Filosofia, a capacidade de desenvolver o pensamento lógico em busca da verdade. Isso tudo é tão incrível, porque revela que o homem, desde sempre, busca por Deus. Do mito a Filosofia. Mais incrível ainda é saber que Deus utilizou justo a língua grega para espalhar a mensagem do Evangelho entre as nações. Não, não quero que isso soe supersticiosamente, mas preciso, planejado, lance de Mestre!

Todo o ambiente grego e sua influencia universal ajudaram não apenas na escrita do Evangelho, mas em sua propagação pelo mundo. E depois do surgimento do cristianismo, vamos constatar uma queda definitiva dos mitos e da filosofia naturalista. A Verdade enfim havia chegado, o Reino de Deus era a resposta a essa interrogação que pairava tanto para gregos quanto para os não gregos. Judeus e gentios. Mas essa Verdade ainda é loucura para muitos e por isso, a busca não tem fim.

“Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. Pois está escrito: "Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência  dos inteligentes".  Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?  Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.” I Coríntios 1: 18-21. Aleluia!

Agora sim, Procusto entra em cena


E usando o tripé (mitologia, filosofia, Cristo) recorro a Procusto, personagem de Teseu que de forma perfeita traduz uma analogia também  tripla: homem-mundo-Cristo. Procusto é chocante, traumático, assustador tanto quanto o telejornal policial que de forma cruel relata os homens distantes da Verdade.

Procusto era um gigante que vivia na serra de Elêusis. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, de seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Mas essa hospitalidade toda era enganosa.  Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Procusto termina sendo capturado pelo herói ateniense Teseu que, em sua última aventura, prendeu Procusto lateralmente em sua própria cama e cortou-lhe a cabeça e os pés, aplicando-lhe o mesmo suplício que infligia aos seus hóspedes.

Procusto é o mundo, contrário ao Reino de Deus. O mundo como essa cama que convida de forma encantadora seus hóspedes a se deitarem e ajustarem suas medidas. Estica, encurta, para alcançar um padrão de exigência enganoso. E tudo parece normal, afinal a cama o acolhe. Fora da cama de Procusto é estar fora de um padrão . Então se deita, ainda que não se durma.

Distante do Evangelho se vive esse mito de Procusto, um homem que tinha suas razões para agir de forma tão incomum, mas seus hóspedes eram presas, vitimas de sua maldade. E os hóspedes na cama eram obrigados a se tornarem idênticos a Procusto. E não seria essa a essência do diabo? Ele convida, encanta, engana, mente e faz com que seus hóspedes deitem em sua cama, assumam uma identidade que não lhes pertence, pois Deus os criou para boas obras.

Percebam que Procusto colheu tudo que plantou ao ser capturado por Teseu. Deitar na cama de Procusto é uma sentença de morte e assim está caminhando a humanidade sem Cristo. O livro de Gálatas diz que as obras do mundo são conhecidas e distintas das obras de Deus. Quem deita na cama de Procusto, se adapta a cometer tais obras:

"Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia,Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus."Gálatas 5:19-21

Escapando de Procusto!

Quando o convite para deitar na cama de Procusto lhe parecer encantador, agradável, lembre-se: Não deite, não se adapte ao padrão do mundo sem Deus! O fim é triste, é a captura para morte: "Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós". Tiago 4:7,8

Cristo

O que mito e filosofia buscavam se encontra em Cristo e de forma Superior e inigualável. Ele nos deu a imaginação, sim a criatividade, o fantástico e a razão através da qual vivemos e crescemos em sabedoria e graça.

Cristo, nos convida a Liberdade, que nada nem ninguém pode proporcionar: “Aquele pois que o Filho libertar, verdadeiramente será livre!” João 8:36. Sabe essa inquietação, essa tristeza que abate a alma como a buscar a felicidade em lugares tantos, em cama de Procusto? É o vazio que os gregos buscavam preencher, que todo homem busca preencher, é a Síndrome de Procusto que somente Cristo pode curar.

Deus o abençoe.

por Wilma Rejane
Extraído do Blog A Tenda na Rocha
Aqui eu Aprendi!

sábado, 18 de novembro de 2017

Salvação e Livre-Arbítrio

“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher” Sl 25.12

Salvação e Livre-Arbítrio

Prezado(a) professor(a), na aula desta semana é importante remontar a biografia de Jacó Armínio. Por isso o estudo de livros de história da Igreja é importante. Há também boas literaturas teológicas sobre Armínio, uma delas já mencionada em artigo anterior. A CPAD também tem as obras de autoria de Armínio publicadas em língua portuguesa à disposição dos irmãos: As Obras de Armínio, 3 Volumes. Assim, faremos um breve resumo sobre a importância desse grande teólogo.

Jacó Armínio era um teólogo holandês que se posicionou contrário a algumas doutrinas de linha calvinista com o objetivo de destacar mais o caráter amoroso, bondoso e justo de Deus que foram manifestos na pessoa bendita de Jesus Cristo. Por isso, Armínio foi acusado injustamente de ensinar muitas heresias. Contra ele, foram usados argumentos frágeis e insustentáveis se analisados de maneira séria. Infelizmente, esse “espírito” é comum ainda hoje. A fé cristã não é uma expressão homogênea. Embora tenhamos pontos de fé comuns, que nos une, também temos pontos que nos traz discordâncias pontuais: batismo, escatologia, batismo no Espírito. Mas temos de fazer um alerta importante! Por exemplo, antes de existirem tradicionais-históricos, pentecostais, neopentecostais e outros, já havia milhares de cristãos fiéis ao Senhor. Isso significa que a história da Igreja não começou com uma pessoa ou denominação somente. Por isso não se justifica guerras teológicas, brigas denominacionais e, até mesmo, rompimentos de amizade por causa disso. A Palavra de Deus não é para trazer contendas e rivalidades.

É importante salientar que Jacó Armínio não acrescentou nada novo à teologia cristã no sentido doutrinário. Para fortalecer esse parecer, o estudioso holandês usou em seu método os pais da Igreja, escritos medievais e muitos outros protestantes que lhe antecederam, mostrando que eles defendiam a mesma doutrina cristã. Alguns nomes que fazem parte da belíssima história protestante podem ser arrolados ao lado de Armínio em visões similares e bem idênticas ao do teólogo holandês: Melanchton, um líder luterano; Erasmo, reformador católico; Balthasar Hubmaier e Menno Simons, líderes anabatistas do século XVI. Jacó Armínio morreu no auge da controvérsia teológica na Holanda, em 1609. Revista Ensinador Cristão nº72

O projeto primário de Deus foi salvar a humanidade. Todavia, de acordo com sua soberania, concedeu o livre-arbítrio ao homem.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 3.14-21

Deus é soberano, amoroso e deseja salvar a todos indistintamente, mas isso não anula o direito de escolha do ser humano. O que coube a Deus fazer no plano perfeito da salvação Ele o fez, mas a parte do homem, que é pela fé decidir crer e aceitar o sacrifício de Jesus, ele precisa fazer. Deus criou seres autônomos, inteligentes e permite que suas criaturas escolham entre o bem e o mal. No plano perfeito da salvação, Cristo deu a sua vida por todos, mas somente aqueles que decidem crer serão salvos. Nesta lição estudaremos também a respeito do teólogo reformador Armínio, pois ele foi um dos que refutou duramente a teologia da predestinação de Calvino.

INTRODUÇÃO

Na cruz do Calvário, Jesus Cristo ofereceu a salvação indistinta e gratuitamente para todos os seres humanos (Ap 22.17). Por decisão pessoal, e liberdade individual, os que recebem a oferta de salvação são destinados à vida eterna, pois o Pai quer que todo homem se salve e que ninguém se perca (2Pe 3.9).

I. A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

1. A eleição de Israel.
A eleição no Antigo Testamento tem um significado mais específico que no Novo Testamento. Exemplo disso é o chamado de Abraão e sua descendência, que mais tarde formariam a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e lhe fez promessas (Gn 12.1-3). Livre e espontaneamente, o “amigo de Deus” respondeu positivamente ao chamado. Entretanto, diante dele havia a possibilidade de não atender a essa convocação. Nesse sentido, é importante ressaltar que a eleição de Israel (Is 51.2; Os 11.1) é específica e pontual. Deus tinha um propósito de enviar o Salvador ao mundo por intermédio da nação judaica. Por ser pontual, específica e coletiva, a eleição de Israel não pode ser usada como base para fundamentar a salvação individual do crente, nem mesmo dos judeus, no sentido de Deus decretar uns para a vida eterna e outros para a eterna danação. Além do mais, por meio do livre-arbítrio que Deus deu a Israel, a nação chegou a perder algumas bênçãos prometidas porque se rebelou contra o Senhor e desobedeceu à sua ordem (Jr 6.30; 7.29). Segundo o apóstolo Paulo, isso nos serve de exemplo a fim de não repetirmos os mesmos erros do povo de Deus do Antigo Testamento (1Co 10.6,11).

2. A eleição para a salvação.
A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores à salvação em Cristo e os torna santos (Rm 8.26-39). Essa eleição é proclamada por meio da pregação do Evangelho (Jo 1.11; At 13.46; 1Co 1.9), pois o Altíssimo deseja que todos sejam salvos, respondendo afirmativamente ao seu chamado para a salvação (At 2.37; 1Tm 2.3,4; 2Pe 3.9). Entretanto, as Escrituras mostram claramente que quem crer será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc 16.16).

3. A presciência divina.
Presciência é a capacidade de Deus saber todas as coisas de antemão (At 22.14; Rm 9.23) e de interferir na história humana (Ne 9.21; Sl 3.5; 9.4; Hb 1.1-3). Ele é soberano (Jó 42), provedor (Sl 104) e sabe quem responderá positivamente ao convite de salvação (Rm 8.30; Ef 1.5). Deus proveu o meio de salvação para todas as pessoas, mas nem todas atenderão ao seu convite. Em sua soberania e presciência, estamos sob os seus cuidados, mas paradoxalmente, também desfrutamos do livre-arbítrio que Ele nos deu, o que aumenta mais a responsabilidade humana de obedecer à sua vontade (Rm 11.18-24).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Qualquer estudo sobre a eleição deve sempre começar por Jesus. E toda conclusão teológica que não fizer referência ao coração e aos ensinos do Salvador, seja tida forçosamente por suspeita. Sua natureza reflete o Deus que elege, e em Jesus não achamos nenhum particularismo. Nele, achamos o amor. Por isso, é relevante que em quatro ocasiões Paulo vincule o amor à eleição ou à predestinação: ‘Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição [gr. eklogen] é de Deus’ (1Ts 1.4). ‘Como eleitos [gr. eklektoí] de Deus, santos e amados...’. (Cl 3.12) — nesse contexto, amados por Deus. ‘Como também nos elegeu [gr. exelaxato] nele antes da fundação do mundo... e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito [gr. eudokia] de sua vontade’ (Ef 1.4,5). Embora a intenção divina não esteja ausente nesta última palavra grega (eudokia), ela inclui também um sentido de calor que não fica tão evidente em thelõ ou boulomai. A forma verbal aparece em Mateus 3.17, onde o Pai diz: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo [gr. eudokesa]’.
Finalmente, Paulo diz: ‘Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido [gr. heilato] desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade’ (2Ts 2.13). O Deus que elege é o Deus que ama, e Ele ama o mundo. Tornar-se-ia válido o conceito de um Deus que arbitrariamente escolheu alguns e desconsidera os demais, deixando-os ir à perdição eterna, diante de um Deus que ama o mundo?” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática:Uma perspectiva pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, pp.363,364).

II. ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

1. Breve histórico de Jacó Armínio.
Jacó Armínio (*1560 +1609) nasceu na Holanda, foi pastor de uma igreja em Amsterdã e recebeu o título de doutor em teologia pela Universidade de Leiden. Tendo sido envolvido numa disputa calvinista, desenvolveu uma tese bíblica a partir dos primeiros Pais da Igreja, que foi denominada de Arminianismo. Sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. Por esse posicionamento, enfrentou forte oposição, perseguição e falsas acusações por parte dos teólogos calvinistas. Entretanto, esse teólogo holandês sempre apresentou uma postura tolerante e não combativa, embora convicto de suas opiniões.

2. O livre-arbítrio.
O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente se tratando da salvação. Isso quer dizer que cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo para ser salvo por Jesus ou não, embora Deus dê a todos a oportunidade da salvação. No Jardim do Éden, o Criador outorgou o livre-arbítrio ao homem (Gn 2.16,17); a Israel deu também essa prerrogativa (Dt 30.19); e à humanidade o Altíssimo possibilitou escolha entre o caminho da salvação ou o da perdição (Mc 16.16).

3. O livre-arbítrio na Bíblia.
Deus nos criou à sua imagem e semelhança (Gn 1.26). Logo, por Ele ser naturalmente livre, também seus filhos possuem a faculdade de escolherem livremente. Por isso, o Criador sempre incentivou a nação a escolher o caminho da vida (Dt 30.19-20). Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22; cf. Jo 1.12), pois “se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9).


Eleição divina e livre-arbítrio
“Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. [...]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre-vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas”. 
Leia mais em Teologia Sistemática Pentecostal, CPAD, pp.368,69.


III. ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE-ARBÍTRIO

1. A eleição divina.
A eleição é uma escolha soberana de Deus (Ef 1.5,9) que tem como objeto de seu amor todos os seres humanos (1Tm 2.3,4). Não é uma obra que leva em conta o mérito humano, mas que é feita exclusivamente em Cristo (Ef 1.4). Em Jesus, Deus nos elegeu com propósitos específicos: para pertencermos a Cristo (Rm 1.6; 1Co 1.9); para a santidade (Rm 1.7; 1Pe 1.15; 1Ts 4.7); para a liberdade (Gl 5.13); para a paz (1Co 7.15); para o sofrimento (Rm 8.17,18); e para a sua glória (Rm 8.30; 1Co 10.31).

2. Escolha humana e fatalismo.
A graça comum (Rm 5.18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evangelho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus — Fatalismo: acontecimentos que operam independentemente da nossa vontade, e dos quais não podemos escapar. Ora, a eleição de Deus não é destinada somente a alguns indivíduos, enquanto os outros, por escolha divina, vão para o inferno. Isso vai contra a natureza amorosa e misericórdia do Criador. Por isso, indistintamente, Ele dá a oportunidade para que todos se salvem (At 17.30), pois Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34).

3. A possibilidade da escolha humana.
Há vários textos bíblicos que apontam para o fato de o ser humano ser livre para escolher: “todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16); “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37); “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13). Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o Altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados. O nosso Deus deseja que todo ser humano, espontânea e livremente, o ame de todo coração e mente.


Deus nos elegeu, em Jesus, para pertencermos a Ele.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Ainda de acordo com a ideia de que o relacionamento entre o divino e o humano é uma via de mão dupla, a posição compatibilista de Lewis, que aventa o que chamei de ‘coexistência pacífica entre soberania divina e livre-arbítrio’ ou ‘compatibilidade incognoscível’, é exemplificada pelo autor de As Crônicas de Nárnia, com a ideia de perdão. A necessidade de tal ato da parte de Deus, ‘move’ a divindade e, ‘Nesse sentido’, diz ele, ‘a ação divina é consequência do nosso comportamento, [e] é por ele condicionada e induzida’. Lewis então questiona retoricamente: ‘Será que isso significa que podemos ‘influenciar’ Deus?’. O anglicano acredita que é até possível responder afirmativamente caso se quiser e diz que, se isso for dessa forma, é preciso então que se flexibilize a noção de ‘impassibilidade’ divina, ‘de forma que admita isso’, aventando a hipótese de que o comportamento humano, de alguma forma, ‘influencia’ o Criador, ‘pois sabemos que Deus perdoa muito mais do que entendemos o significado de impassível’. Assim é que, a respeito dessa questão, Lewis diz que prefere ‘dizer que, antes de existirem todos os mundos, Seu ato providencial e criativo (porque são uma coisa só) leva em conta todas as situações engendradas pelos atos de suas criaturas’. Mas, questiona, ‘se Deus leva em conta nossos pecados, por que não nossas súplicas?’. Isso significa que a oração, a súplica, move a Deus. Numa palavra, ‘Deus e o homem não se excluem mutuamente, como o homem exclui ao seu semelhante no ponto de junção, por assim dizer, entre Criador e criatura; no ponto em que o mistério da criação — infinito para Deus e incessante no tempo para nós ’ ocorre de fato’. Isso significa que, ‘Deus fez (ou disse) tal coisa’ e ‘eu fiz (ou disse) tal coisa’ podem ambos ser verdadeiros’. Esta, inclusive, é a forma arminiana e pentecostal de crer. A soberania divina coexiste com o livre-arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva a equívocos e discussões desnecessárias” (CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte: A justiça sob a ótica de Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.114,115).

SUBSÍDIO
Abaixo, segue um quadro comparativo entre as três principais correntes de doutrina da salvação, quanto a vários temas que demonstram as tensões e questões conflitantes entre elas:


(É lógico que há muitas variantes desses três modelos. Procuramos falar aqui das correntes clássicas, sem levar em conta o semipelagianismo e os vários calvinismos como o neopuritano, o neo-ortodoxo, o neocalvinista, o hiper-calvinismo, o fatalista. Além disso, sabe-se que "os tipos ideais possuem uma coerência, que evidentemente não é possível encontrar na realidade" (MARIZ, Cecilia Loreto. A Sociologia da Religião de Max Weber. In: TEIXEIRA, Faustino (Org.). Sociologia da religião: enfoques teóricos. Petrópolis: Vozes,2007.p.78)


CONCLUSÃO

O Evangelho é um presente oferecido a todas as pessoas, independente de méritos pessoais. Por isso o Senhor convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Os que aceitam a esse convite estão predestinados a “serem conforme a imagem de seu filho”, Jesus Cristo (Rm 8.29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo!


Fonte:
Livro de Apoio - 4º Trim/17 – A Obra da Salvação - Claiton Ivan Pommerening
Lições Bíblicas Adultos 4º trimestre/17 - A Obra da Salvação — Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Comentarista: Claiton Ivan Pommerening

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A resposta cristã para a violência urbana

“A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” Gn 6.11

“Os servos de Deus devem manifestar-se contra a violência (Jr 20.8; Hc 1.2). Eles oram pela libertação dos homens violentos (Sl 140.1,4) sabendo que somente Deus poderá libertá-los (2Sm 22.3,49; Sl 72.14; 86,14). Os governantes devem eliminar a violência (Jr 22.2ss; Ez 45.9). As cidades devem se arrepender dela (Jn 3.8). Entretanto, sua presença na sociedade humana ainda cria problemas em relação à doutrina da justiça divina (Ec 5,8; Hc 1.2-4). Somente Cristo estava livre dela (Is 53.9) e ela não existirá na nova terra (Is 60.18ss). Deve-se observar que a violência na época de Noé (Gn 6.11,13) repetir-se-á nos últimos dias antes do segundo advento de Cristo (Mt 24.12,37)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009. p.2022).

“É certo que somente os cristãos têm a cosmovisão capaz de prover soluções exequíveis para os problemas da vida comunitária. Assim, devemos estar na vanguarda, ajudando comunidades a cuidarem de seus próprios bairros. Seja mobilizando esforços para acabar com as pichações e limpar terrenos desocupados, ou ativismo político para fazer votar leis que obriguem padrões de comportamento público, deveríamos estar ajudando a restabelecer a ordem nessas áreas menores como primeiro passo em direção aos principais problemas sociais” (COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E Agora, como Viveremos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2000, pp.434,435).

O enfrentamento da violência urbana e a compaixão pelas vítimas são faces da responsabilidade cristã na sociedade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta lição, utilize o esquema abaixo para ensinar a importância do Decálogo para o estabelecimento da ordem social. Dos Dez Mandamentos, os quatro primeiros referem-se ao relacionamento entre Deus e o homem, e os outros seis, do homem com o próximo. O intuito dos mandamentos era organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas contra o arbítrio e a ofensa alheia.


TEXTO BÍBLICO - Lucas 10.30-37

INTRODUÇÃO

Na lição deste domingo, violência urbana é o tema a ser estudado. No sentido aqui compreendido, o termo violência urbana alude a toda conduta humana que ofenda a lei e a ordem pública.

I. PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA

1. A violência na Bíblia.
O primeiro episódio violento registrado nas Escrituras após a rebelião humana foi protagonizado por Caim. Este entrou para os anais da história como o homem que inaugurou a violência na face da terra, ao assassinar friamente seu irmão Abel (Gn 4.1-16). Depois deste fatídico evento, e com a crescente degeneração humana, não pararia mais a escalada da violência social, a ponto de homens sanguinários se vangloriarem de seus feitos cruéis (Gn 4.23) e assassinos serem cultuados como verdadeiro heróis (Gn 6.4).

2. A geração do dilúvio.
Violência e depravação vieram a atingir níveis alarmantes nos tempos de Noé (Gn 6.5). De acordo com Gênesis 6.11, a terra estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. O Guia do Leitor da Bíblia explica que maldade e violência são as duas palavras usadas para caracterizar os pecados que causaram o dilúvio do Gênesis: “Maldade é rasah, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles. Violência é hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas”. Eis aí as características da violência urbana.

3. Violência ao longo da Bíblia.
As Escrituras relatam muitos outros episódios de violência, crueldade e agressão, física e emocional, a fim de evidenciar a condição pecaminosa do homem (Êx 2.11,12; 2Sm 13; 1Rs 21). Ao lermos tais passagens, devemos ter em mente que se trata de relatos descritivos, e não prescritivos. Ou seja, descrevem fatos, mas não prescrevem condutas!

Pense!
Por amor à humanidade, Jesus submeteu-se à maior de todas as violências: a morte.

Ponto Importante
A Bíblia faz questão de registrar a violência humana. Afinal, não é objetivo de Deus esconder a verdade ou falsear a história da humanidade.

II. O PODER PÚBLICO E A VIOLÊNCIA URBANA

1. “Nínives” da atualidade.
O Brasil é um dos países com maior índice de criminalidade do mundo, com elevada taxa de homicídios, roubos, sequestros e outros atos criminosos. Algumas cidades se assemelham a Nínive: há derramamento de sangue, são repletas de roubo e nunca ficam sem presas (Na 3.1). Nesse quadro avassalador, a população vive em estado de pânico, insegura e traumatizada com a delinquência dominante. Oremos pelo nosso país!

2. O Estado e a sua função de punir o mal.
Conforme estudamos na lição anterior, Deus delegou ao governo civil a autoridade para castigar os malfeitores (1Pe 2.14). Paulo diz que os magistrados são ministros de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal (Rm 13.4). Fica claro, à luz do texto bíblico, que somente o Estado, sob a autoridade divina, pode punir os malvados, o que contraria qualquer ideia de revanchismo, vingança privada e o “justiçamento” feito com as próprias mãos.

3. O papel do Poder Público.
É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de criminalidade, mediante a atuação conjunta e eficiente dos três poderes governamentais. Espera-se do Legislativo a criação de leis e normas que coíbam todo e qualquer ato de violência a fim de garantir a ordem e a paz social. O poder Executivo, além de criar políticas públicas que busquem garantir a segurança da população, deve manter um corpo policial preparado, próximo da comunidade, que saiba atuar de forma preventiva e repressiva. Enquanto isso, o Judiciário tem o importante papel de julgar de maneira célere e punir com justiça os homens violentos e sanguinários, evitando, com isso, a impunidade.

Pense!
“Não vos vingueis a vós mesmos [...]” (Rm 12.19)

Ponto Importante
É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de criminalidade.

III. A IGREJA EM UMA SOCIEDADE VIOLENTA

1. Utilizando as ferramentas de Deus.
Os filhos de Deus têm condições suficientes de contribuir com o enfrentamento da violência urbana, valendo-se das ferramentas que Deus nos disponibilizou em sua Palavra. Vejamos como fazer isso:

a) Fornecendo uma lei moral absoluta: Para criarmos uma boa sociedade do ponto de vista cristão, é necessário, em primeiro lugar, um firme sentimento do que é certo e errado e uma determinação para colocar adequadamente em ordem a vida de alguém. A violência urbana da presente época deve-se em grande parte à desconstrução dos valores judaico-cristãos que serviram de base para a história da humanidade. O cristianismo rejeita o relativismo pós-moderno e fornece ao homem uma lei moral absoluta que permite julgar entre o certo e o errado.

b) Envolvendo-se com a comunidade local: Na fé cristã, palavras e ações devem caminhar juntas. Logo, o agir cristão impactante no contexto das cidades inicia-se com o envolvimento da igreja com a comunidade, famílias e escolas locais. A congregação de crentes não pode viver alienada do cotidiano e dos problemas que afetam o bairro onde está instalada.

c) Desenvolvendo projetos contra a violência: Você já pensou como os grupos de jovens crentes podem ajudar a desenvolver projetos contra a violência urbana? Colocando em prática a força espiritual a que João alude (1Jo 2.14), é possível promover ações sociais que incentivem o comportamento virtuoso e confrontem os vícios sociais que conduzem à destruição e à delinquência juvenil.

d) Apoiando as vítimas da violência: Por fim, e não menos importante, é a ajuda às vítimas da violência. No exemplo de Jesus (Lc 10.37), a atuação do Bom Samaritano não se resumiu às palavras de apoio ao homem que fora espancado a caminho de Jericó. A Bíblia diz que ele “atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele” (v.34). Há muitos feridos e moribundos ainda hoje. Cuidar dessas pessoas revela a nobreza do amor de Deus derramado em nossos corações.

Pense!
Além de pôr em prática a dimensão do cuidado, o Bom Samaritano garantiu financeiramente a continuidade do tratamento da vítima.

Ponto Importante
Na fé cristã, palavras e ações devem caminhar juntas.

CONCLUSÃO

Ao final desta lição, a parábola do Bom Samaritano ainda continua a nos ensinar muito a respeito do enfrentamento cristão à violência urbana de hoje. Deus nos chama a desempenhar esse mesmo ministério da compaixão e da misericórdia nesta sociedade fraturada pela violência física, emocional e patrimonial.

SUBSÍDIO
“Todas as vezes que os líderes das grandes potências, ignorando a soberania de Deus, proclamam uma política de globalização, o mundo é mergulhado numa guerra. Haja vista a euforia do primeiro-ministro inglês Neville de Chamberlain às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito, constataram os estadistas que o mundo estava mais dividido do que nunca.
Assim acontece a esta geração de estadistas. Apesar de sua retórica, o mundo nunca teve tão dividido em aldeias e tribos. O ser humano continua o mesmo: bairrista, selvagem, violento. Se o romano Petrônio estivesse aqui, vendo as cenas que neste momento comovem o mundo, repetiria mais enfaticamente sua sentença: ‘O homem é o lobo do homem’.
A globalização jamais melhorará o homem, nem o arrancará de suas estreitas fronteiras de violência e terror. Somente o Senhor Jesus Cristo poderá transformar radicalmente o ser humano numa nova criatura (Jo 3.3).
O que estamos fazendo enquanto o mundo arde em nosso redor? Não nos enganemos! [...] Que ninguém pense que seremos poupados de semelhantes provações por sermos o país do futebol e do carnaval. Deus exige que sejamos conhecidos também como a pátria do Evangelho e da responsabilidade moral” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Quando os Símbolos e Mitos Caem:Ícones de riqueza, globalização e segurança desabam em Nova Iorque. Mensageiro da Paz, CPAD: RJ. Setembro/2001, p.11).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Arqueologia - Descoberta ruínas da "fortaleza de Salomão"

"E a Baalate, e a Tadmor, no deserto daquela terra, e a todas as cidades de provisões que Salomão tinha, e as cidades dos carros, e as cidades dos cavaleiros, e tudo o que Salomão quis edificar em Jerusalém, e no Líbano, e em toda a terra do seu domínio." 1 Reis 9:18,19

Descobertas ruínas da “fortaleza de Salomão”, mencionada na Bíblia

Os arqueólogos acreditam ter encontrado os portões da fortaleza do deserto do rei Salomão. (Captura de tela)

Arqueólogos afirmam que achado corresponde ao local descrito em 1 Reis

Um grupo de arqueólogos cristãos descobriu os portões de uma das fortalezas do rei Salomão, durante escavações no Parque Tamar, sul de Israel. Paul Lagno, que faz parte da equipe, diz que indícios no local confirmam o relato bíblico.

“A Bíblia diz que Salomão construiu uma fortaleza no deserto. Os arqueólogos têm certeza de que encontraram todas as características dos portões de uma delas. O local tem todas características de uma cidade fortificada. Eles acreditam que esta foi construída por Salomão”, assegurou Lagno ao site Breaking Israel News.

Ele lembra que o texto de 1 Reis 9:18, fala sobre Salomão edificar um local no deserto chamado Tamar. “Além disso, os altares pagãos destruídos pelo rei Josias, conforme descrito em 1 Reis 13:3 também foram encontrados, exatamente fora dos portões”.

"E deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza, que nele está, se derramará." 1 Reis 13.3

A doutora Tali Erickson-Gini, arqueóloga da Autoridade de Antiguidades de Israel, que participou da descoberta, acredita que essa escavação descobriu as primeiras fortificações no sítio arqueológico do Parque Tamar, provavelmente erguidas no período do Primeiro Templo. Ela, juntamente com o Dr. James Tabor e o Dr. Yoram Haimi, lideraram a equipe durante cinco dias.

Na verdade, esses portões foram parcialmente descobertos em 1995, pelo Dr. Rudolph Cohen e o Dr. Yigal Israel. Mas eles não tinham fundos para terminar as escavações, por isso encheram o local com areia para ‘proteger’ sua descoberta que pretendiam retomar no futuro. Com esse novo trabalho, a equipe de arqueólogos atingiu a base dos portões, na chamada de “linha de deposição”.

Uma vista aérea das escavações em Tamar. (Autoridade de Antiguidades de Israel)



“Estamos trabalhando em partes muito antigas do local, que inclui um portão de quatro câmaras”, enfatiza Erickson-Gini.

O Parque Bíblico de Tamar é um dos mais antigos sítios arqueológicos no sul de Israel e o único na região capaz de mostrar toda a história arqueológica do período abraamico (2000-1300 a.C.) até hoje. Localizado ao longo da Rota das Especiarias, a área teve uma enorme importância para o comércio mundial. Trata-se de uma notável parte da herança judaica da terra de Israel.

A organização cristã Blossoming Rose é responsável pela administração do Parque bíblico de Tamar, fundado pelo Dr. DeWayne Coxon em 1983. Paul Lagno trabalha com a organização desde 2010, com foco na exposição do Pavilhão do Tabernáculo.

Seguindo o que acredita ser o mandamento bíblico de abençoar Israel, a Blossoming Rose investiu milhões de dólares na manutenção do sítio arqueológico desde sua fundação, proporcionando manutenção e segurança. Também ajuda a levar voluntários de todo o mundo para o local, que plantaram milhares de árvores atrás do parque.

Foram os arqueólogos ligados ao governo de Israel que o batizaram de Tamar, por causa das várias passagens bíblicas que se referem à antiga cidade que estava ali. A esperança da Blossoming Rose é que ele seja reconhecido oficialmente como um parque nacional. Isso ajudaria na sua manutenção e atrairia um número grande de turistas de todo o mundo.

Segundo Lagno, as novas descobertas ajudam a lançar luz sobre o Antigo Testamento, que é a base da religião judaica, bem como o fundamento de crenças cristãs.

Os voluntários cavam no local da escavação. (Captura de tela)

Fonte: Gospelmais_noticias

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