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terça-feira, 1 de julho de 2014

A Epístola de Tiago

A Carta de Tiago é a primeira do grupo de epístolas consideradas como escritos gerais. 

Tais epístolas recebem essa designação por não serem endereçadas especificamente a qualquer grupo que possa ser identificado de imediato. 

Outra denominação dada a este grupo de escritos é “escritos católicos”, por serem cartas gerais. Essa designação nada tem a ver com o nome da Igreja Católica Apostólica Romana.

A tradição da igreja antiga nomeia como autor o irmão mais velho do Senhor, Tiago. No entanto, chama atenção que por um período relativamente longo a carta de Tiago não tenha sido reconhecida como escrito canônico, i. é, como pertencente ao conjunto dos livros do NT. É a posição de Orígenes (falecido por volta de 254 d.C.) e Eusébio (séc. IV). Este, porém, declara que a carta era lida em público na maioria das igrejas. Foi somente durante o séc. IV que ela se impôs definitivamente na igreja oriental e ocidental (Cirilo, Atanásio, Jerônimo, Agostinho). Contudo não se tem notícia de que na igreja antiga também tenha sido citada outra pessoa além de Tiago, irmão do Senhor.

A carta de Tiago é um livro prático.
Esse livro é considerado o livro de Provérbios do Novo Testamento.
Tiago é mais pregador que escritor.
É como se ele nos agarrasse pela lapela, fitasse-nos olhos e falasse conosco algo urgente. Um dos grandes problemas que a igreja estava enfrentando era colocar em prática aquilo que eles professavam. A vida estava divorciada da teologia. Esse também é o problema da igreja contemporânea. Daí, a pertinência e a urgência de estudarmos Tiago.

O tema central de Tiago é: o nascimento (1.13-19a), o crescimento (1.19b-25) e a maturidade (1.26 - 5.6) do cristão. Através das provas, pela paciência, recebemos a coroa.

A primeira ênfase de Tiago é sobre o novo nascimento (1.13-19a). Embora a velha natureza permaneça ativa (1.13-16), o Pai nos trouxe ao novo nascimento pela Sua Palavra (1.17-19a).

A segunda ênfase é sobre o crescimento espiritual (1.19b-25). Nós crescemos pelo ouvir (1.19), receber (1.21) e obedecer (1.22-25) a Palavra.

A terceira ênfase é sobre a maturidade espiritual (1.26 - 5.6).

Há três notáveis desenvolvimentos que são característicos da verdadeira maturidade cristã:
1) O controle da língua (1.26);
2) O cuidado dos necessitados (1.27a);
3) A pureza pessoal (1.27b).

Por que Tiago escreveu esta carta?
Para resolver alguns problemas:
1) Eles estavam passando por duras provações;
2) Eles estavam sendo tentados a pecar;
3) Alguns crentes estavam sendo humilhados pelos ricos, enquanto outros estavam sendo roubados pelos ricos;
4) Alguns membros da igreja estavam buscando posições de liderança;
5) Alguns crentes estavam falhando em viver o que pregavam;
6) Outros crentes estavam vivendo de forma mundana;
7) Outros não conseguiam dominar a língua;
8) Outros estavam se afastando do Senhor;
9) Havia crentes que estavam vivendo em guerra uns contra os outros.
Esses são os mesmos problemas que enfrentamos hoje.
Para Tiago, a raiz de todos esses problemas era a imaturidade cristã.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 11-13.

Lembrete: há um versículo muito conhecido e citado nesta carta – Tiago 2.17: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”.

Como em toda carta, temos:
Data: entre 45 a 49 d.C
Local onde foi escrita: Jerusalém
Remetente: Tiago
Destinatário: A Doze Tribos

A carta de Tiago difere das outras cartas do Novo Testamento pelo seu estilo, conteúdo e apresentação.


Quanto ao seu estilo, Tiago omite, quase por completo, uma discussão teológica. Suas pressuposições são ortodoxas. Seu estilo é direto e objetivo. Combate pecados e atitudes que prejudicam a vida e o testemunho dos cristãos. Apresenta o imenso valor de se viver segundo a sabedoria do alto, isto é, de acordo com a revelação de Deus.



O livro foi escrito aproximadamente entre 10 e 15 anos após a morte de Jesus. O discipulado que Jesus ordenou na Grande Comissão a seus seguidores para ensinar foi obediência a tudo que ele mesmo tinha passado para eles. Não nos surpreende descobrir que há doze nítidos paralelos entre o Sermão do Monte e Tiago (cf. Bíblia Almeida Século 21, p. 1238). Por isso, muito daquilo que vemos aqui podemos sentir as palavras de Jesus, como pano de fundo, temperando as palavras de Tiago. Mas além de ter Jesus como sua fonte, Tiago é um dos livros que mais tem referências diretas ou indiretas aos livros do Antigo Testamento. E dos 39 livros que completam o Antigo Testamento, ele faz algum tipo de referência a pelo menos 22 livros.



E quem era Tiago? Esse nome pertencia a vários personagens do Novo Testamento. O primeiro mártir da igreja foi Tiago, o irmão de João, filho de Zebedeu. Tiago, filho de Alfeu se encontra na lista dos discípulos de Jesus, mas o Tiago que se destaca era coluna da igreja de Jerusalém (Gl 2.9). Esse último Tiago foi incluído na lista dos irmãos de Jesus (Mc 6.3; Mt 13.55). Foi designado como “apóstolo” em Gálatas 1.19. O fato de o Cristo ressurreto ter aparecido a Tiago (1Co 15.7) e de Paulo argumentar em favor do seu próprio apostolado com a frase “não vi Jesus, nosso Senhor?” (1Co 9.1), talvez explique porque Tiago estava incluído nesse círculo maior (além dos Doze) de líderes que foram reconhecidos como apóstolos. No concilio de Jerusalém (49 d.C), ele teve papel importante como bispo dessa igreja (At 15.13-21), sugerindo o envio da carta recomendando quatro abstenções que os crentes gentios deveriam observar (v. 20).


Os destinatários dessa carta foram as doze tribos dispersas entre as nações. Havia colônias de judeus em muitas cidades do império, e em algumas delas havia cristãos judeus, como sabemos que era o caso em Roma. Foram os distúrbios provocados por um “Chrestos" (muito provavelmente, Cristo), segundo o historiador Suetônio, que levaram o imperador, Cláudio, a expulsar os judeus da capital no ano 48 d.C. (At 18.2).

Os destinatários eram evidentemente judeus convertidos a Cristo que, naquela época, viviam dispersos por todo o mundo conhecido.

A descrição deles como “as doze tribos dispersas entre as nações” reflete a maneira pela qual os escritores judeus falavam do Israel escatológico, uma vez que deixaram de existir as tribos do norte quando foram misturadas com o mundo gentio.
Como vemos em Atos, no episódio do Pentecostes da descida do Espírito Santo, vários judeus estavam vindo de diversas partes para Jerusalém, e esses judeus eram conhecidos como o povo da dispersão. provável também que Tiago esteja fazendo uma referência espiritual a essas pessoas. Ou seja, ele está escrevendo para o Israel de Deus que hoje é a igreja de Jesus.
Segundo Josefo, Tiago foi martirizado (apedrejado) no ano 62 d.C. Nesse caso, a data de origem dessa carta teria que ser anterior. Pelas condições refletidas na carta, podemos identificar as regiões costeiras da Palestina e Síria, (em 5.7, há uma referência às chuvas do outono e da primavera, características daquela região) e dos que viviam luxuosamente da terra (5.5), latifundiários, frequentemente ausentes. Por isso, não devemos estar longe da verdade se atribuirmos essa carta a Tiago, irmão de Jesus e líder da igreja de Jerusalém.
Como Tiago não toca na controvérsia que os judaizantes provocaram e que desembocou no Concilio de Jerusalém (49 d.C), podemos sugerir a data de 45-47 d.C.  (cf. Douglas Moo, Tiago, Edições Vida Nova, 1990).

Sobre a Autoria
O autor identifica-se somente como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (1.1). Havia vários homens importantes no Novo Testamento que se chamavam Tiago. No entanto, há uma forte evidência, defendida por muitos estudiosos da Bíblia, de que o autor era o líder da igreja em Jerusalém (At 15.13). Paulo se refere a ele como “Tiago, irmão do Senhor” e o inclui entre os “apóstolos” (Gl 1.19). Em Gálatas 2.9, ele caracteriza Tiago como um dos “pilares” da Igreja.
Este Tiago é mencionado duas vezes nos evangelhos (Mt 13.55; Mc 6.3). Nas duas passagens ele é identificado como um dos irmãos de Jesus. Ele somente se tornou um seguidor do nosso Senhor após a Ressurreição. Ele estava entre os discípulos primitivos que, no cenáculo, esperavam pela descida do Espírito Santo e “perseveravam unanimemente em oração e súplica” (At 1.14).
A habilidade e fé de Tiago logo o colocaram num lugar de proeminência entre os cristãos primitivos. Quando Pedro deixou a Palestina (At 12.17), tudo indica que Tiago assumiu a liderança da igreja de Jerusalém. Três anos após a conversão de Paulo, ele visitou os líderes de Jerusalém e lá viu “Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1.19). Em Atos 15, na assembléia que discutia a admissão dos gentios na Igreja, Tiago era o ministro que presidia a reunião. Na mesma visita a Jerusalém, “Tiago, Cefas e João” estenderam a destra da comunhão a Paulo e Barnabé (Gl 2.9). Na sua última visita a Jerusalém, quando Paulo apresentou seu relatório, “Tiago, e todos os anciãos vieram ali” (At 21.18).
De um homem nessa posição de responsabilidade e autoridade haveríamos de esperar uma carta pastoral de conselhos práticos concernentes a questões que afetavam a vida espiritual da Igreja. E isso que encontramos nesta epístola.

Sobre o Autor (Tiago 1.1)
As cartas no primeiro século geralmente iniciavam com o nome do autor, seguido pelo nome do receptor e uma fórmula de saudação na mesma ordem que aparecem nesta carta. O autor identificou-se simplesmente como Tiago. Provavelmente, nenhuma outra explicação era necessária para os cristãos daquela época. Eles logo compreendiam tratar-se de Tiago de Jerusalém, o reconhecido líder da Igreja. (Veja “Autoria”).

As Credenciais do Autor
Com um verdadeiro espírito cristão, Tiago apresentou-se aos seus leitores, não como o líder da Igreja, mas como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo. O termo servo (doulos) é literalmente um servo cativo ou escravo. O termo escravo era entendido quando usado em relação ao homem. No entanto, quando esse termo era usado em relação a Deus, os leitores judeus compreendiam tratar-se de um adorador.

Às vezes trata-se de maneira negativa o fato de Cristo ter sido mencionado somente três vezes nesta epístola (1.1; 2.1; 5.8). Pode-se supor que a razão não era um desinteresse por parte de Tiago, mas sim que os leitores cristãos conheciam o fundamento da sua mensagem. Em todo caso, há uma evidente declaração da suprema lealdade cristã na frase de abertura do apóstolo. Servo de Deus era uma frase comum do Antigo Testamento. Tiago acrescenta a ela a dimensão distintamente neotestamentária — um adorador do Senhor Jesus Cristo. O autor desta carta é um homem que serve a Deus e aceita a divindade de Jesus. (A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10.)


Curiosidade
Data
A carta de Tiago já recebeu diversas propostas de datação. Esta tem sido determinada por alguns especialistas como tendo sido escrita em 45 ou 62 d.C. Os argumentos orbitam da seguinte forma para se deduzir que foi escrita em um desses períodos. Conforme Josefo, o martírio de Tiago ocorreu em 62 d.C., portanto, ele teve de escrever antes desse período sua carta. A epístola não faz menção sobre a controvérsia de judeus e cristãos entre os anos 50 e 60. Como relata o livro de Atos, Tiago foi chamado "moderador" do Concilio de Jerusalém, evento que provavelmente teria sido realizado no ano de 50 d.C. e que discutiu a chegada de gentios no seio da igreja cristã. E há estudiosos que entendem que como a Carta de Tiago não cita o Apostolo Paulo, é provável que Tiago escreveu sua Carta antes de Paulo ter sido considerado um obreiro de destaque.  (Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD)

2 comentários:

  1. Bom dia!
    A paz do SENHOR \o/.
    Blog muito bacana, Deus continue abençoando!

    Abraço,
    Lipe Augusto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Paz do Senhor Jesus irmão Lipe Augusto.
      Obrigado e sinta-se a vontade em comentar as postagens.
      Pastor Ismael

      Excluir

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